Em relação ao lúpus neonatal (LEN), analise as afirmativas a seguir. I. É uma síndrome caracterizada por lesões cutâneas, bloqueio cardíaco congênito (BCC), citopenias e alterações hepáticas. II. As crianças acometidas são nascidas de mães portadoras de LES, síndrome de Sjogren ou doença mista do tecido conjuntivo com a doença em atividade. III. A passagem transplacentária de anticorpos patogênicos (anti-Ro, anti-La) se inicia por volta da 4ª semana de gravidez e o maior risco para o feto acontece entre a 8ª e a 16ª semanas de gestação, período no qual ocorre o desenvolvimento do sistema de condução cardíaco no embrião. IV. As manifestações hematológicas mais frequentes são anemia, leucopenia, neutropenia e plaquetopenia, sendo raramente graves, e podem não requerer tratamento. Está correto o que se afirma em
- A)I e IV, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e IV. A I descreve o quadro clássico do lúpus neonatal, que pode cursar com lesões cutâneas, bloqueio cardíaco congênito, citopenias e acometimento hepático. A IV também está de acordo com a clínica: as alterações hematológicas mais comuns são anemia, leucopenia, neutropenia e plaquetopenia, em geral leves e transitórias, podendo não exigir tratamento específico.
- B)II e III, apenas.
A alternativa aponta II e III. A II erra ao afirmar que a mãe precisa ter LES, Sjögren ou doença mista do tecido conjuntivo em atividade, porque o fator determinante é a presença de anticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, que podem existir mesmo em doença inativa ou até em gestante sem diagnóstico prévio. A III também falha, pois a passagem transplacentária relevante de IgG não se inicia na 4ª semana e o maior risco para bloqueio cardíaco ocorre mais adiante, sobretudo entre 16 e 24 semanas, quando o sistema de condução fetal está se formando.
- C)III e IV, apenas.
A alternativa combina III e IV. A IV está correta ao destacar que as manifestações hematológicas do lúpus neonatal costumam ser discretas e autolimitadas, muitas vezes permitindo apenas observação. Já a III está incorreta porque a cronologia proposta não corresponde nem à transferência placentária de anticorpos nem à janela de maior vulnerabilidade para o bloqueio cardíaco congênito.
- D)I e III, apenas.
A alternativa reúne I e III. A I traduz corretamente o espectro do lúpus neonatal, com lesões cutâneas, citopenias, alterações hepáticas e risco de bloqueio cardíaco congênito. Porém a III não se sustenta: os anticorpos maternos anti-Ro/anti-La não passam para o feto desde a 4ª semana, e a fase de maior risco cardíaco ocorre mais tarde, no segundo trimestre.
- E)II e IV, apenas.
A alternativa indica II e IV. A IV está adequada ao descrever as manifestações hematológicas usuais, que em geral são leves, transitórias e podem não demandar intervenção. A II é o ponto errado, porque o lúpus neonatal não depende de doença materna em atividade; ele depende da transferência transplacentária de autoanticorpos, podendo ocorrer em mães com LES, Sjögren ou doença mista mesmo sem atividade clínica importante.
Gabarito: A
O lúpus neonatal não é "lúpus da mãe passando para o bebê" no sentido clássico de doença autoimune sistêmica da criança. Ele acontece por passagem transplacentária de autoanticorpos maternos, principalmente anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, e pode causar lesões cutâneas, bloqueio cardíaco congênito, citopenias e alterações hepáticas. O quadro costuma ser mais lembrado pela pele e pelo coração, mas o sangue e o fígado também entram na história. A afirmativa I está correta porque essa é exatamente a apresentação típica do lúpus neonatal. O bloqueio cardíaco congênito é a complicação mais temida, pois pode ser permanente e grave, enquanto as lesões cutâneas costumam ser transitórias e desaparecer quando os anticorpos maternos vão embora. A afirmativa IV também está correta: as alterações hematológicas mais comuns são anemia, leucopenia, neutropenia e plaquetopenia, geralmente leves e autolimitadas, podendo até não exigir tratamento específico. Em muitos casos, a observação e o acompanhamento já bastam, o que faz essa parte da questão ficar bem dentro do perfil clássico cobrado em prova. Já a questão erra ao insinuar que a doença depende de mãe com doença reumatológica em atividade ou que o início da passagem de anticorpos ocorre muito cedo. O ponto-chave é a presença dos autoanticorpos maternos, e o risco fetal maior se relaciona ao período em que o sistema de condução cardíaco está em formação, especialmente no segundo trimestre. Ou seja: o gabarito A está correto porque apenas I e IV batem com o quadro clássico do lúpus neonatal.