Paciente de 40 anos, sexo feminino, obesa, relatou hiperemia, ulceração, mastalgia e um aumento progressivo de volume e sensibilidade da pele. Nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico observou-se a mama com aparência de “casca de laranja” em quase toda a sua extensão. Nesse caso, é correto afirmar que
- A)é raro o comprometimento axilar nessa patologia, não havendo necessidade de abordagem cirúrgica.
Errada. O comprometimento axilar pode ocorrer e o quadro costuma exigir abordagem oncológica adequada, não sendo uma patologia rara nem dispensando tratamento cirúrgico quando indicado.
- B)se não houver nódulo mamário, está descartada malignidade, não havendo necessidade em prosseguir a propedêutica.
Errada. A ausência de nódulo mamário não exclui malignidade, especialmente em formas inflamatórias ou infiltrativas, então a investigação deve prosseguir.
- C)deve ser realizada biopsia de fragmento cutâneo, para pesquisa de êmbolos neoplásicos nos linfáticos da pele.
Certa. A biópsia de fragmento cutâneo pode mostrar êmbolos neoplásicos nos linfáticos da pele, achado clássico na suspeita de carcinoma inflamatório da mama.
- D)se confirmado o diagnóstico de malignidade, sempre tem evolução menos agressiva.
Errada. Quando há malignidade, esse tipo de apresentação costuma ser agressiva, com pior prognóstico, e não menos agressiva.
- E)normalmente não há necessidade de radioterapia pois não tem associação com doença locorregional avançada.
Errada. Em geral, há associação com doença locorregional avançada e a radioterapia pode ter papel no tratamento multidisciplinar.
Gabarito: C
O quadro descrito sugere uma neoplasia maligna inflamatória da mama, em que a pele fica espessada, hiperemiada e com aspecto de "casca de laranja" por obstrução dos linfáticos cutâneos por células tumorais. Isso é um sinal de alerta importante, porque pode aparecer mesmo sem um nódulo palpável bem definido. Ou seja: ausência de massa não afasta câncer, e a propedêutica precisa continuar sem preguiça diagnóstica.