Paciente do sexo masculino de 32 anos, iniciou dor abdominal de moderada intensidade em quadrante inferior esquerdo há 2 dias. Ao exame físico: a dor é localizada, sem irradiação e sem descompressão dolorosa. Nega febre. Realizado TC de abdome que revelou uma massa paracólica de 2 a 3 cm, de formato oval, com densidade de gordura, com revestimento peritoneal espessado e gordura perilesional. O tratamento inicial para o quadro descrito deve ser
- A)videolaparoscopia.
Errada: videolaparoscopia não é a conduta inicial na apendagite epiploica, ficando para casos complicados, dúvida diagnóstica ou falha do tratamento clínico.
- B)corticoide.
Errada: corticoide não é tratamento de primeira linha para esse quadro inflamatório localizado do cólon.
- C)anti-inflamatório.
Certa: o tratamento inicial é conservador com anti-inflamatório/analgesia, pois a apendagite epiploica é autolimitada e sem indicação rotineira de cirurgia ou antibiótico.
- D)metronidazol.
Errada: metronidazol não trata a causa do quadro, que não é primariamente infecciosa.
- E)ciprofloxacina.
Errada: ciprofloxacina também não é rotina aqui, porque antibiótico não é a base do tratamento inicial da apendagite epiploica.
Gabarito: C
O quadro descreve muito bem apendagite epiploica, uma causa benigna e autolimitada de dor abdominal localizada, geralmente em quadrante inferior esquerdo ou direito, sem febre importante e sem sinais marcantes de irritação peritoneal. Na TC, a pista clássica é essa massa pequena, oval, com densidade de gordura, ao lado do cólon, com halo inflamatório e espessamento peritoneal. Parece assustador no papel, mas costuma ser mais "teatro" radiológico do que gravidade clínica. Como o problema é inflamação/torção de um apêndice epiplóico, o tratamento inicial é conservador, com anti-inflamatório e analgésico. Em geral, o paciente melhora em poucos dias, sem necessidade de cirurgia e sem antibiótico de rotina. Isso é o ponto central que a banca gosta de cobrar: a imagem é sugestiva, o exame físico não aponta peritonite, então a conduta inicial é controlar a inflamação e observar. A videolaparoscopia fica reservada para dúvida diagnóstica, complicações ou falha do tratamento clínico. Antibiótico não é a primeira escolha porque não estamos diante de um quadro infeccioso típico, e corticoide não entra como conduta padrão. Em outras palavras: a TC entrega o diagnóstico e o manejo começa simples, do jeito que boa parte das urgências gastrointestinais benignas deveria ser.