Paciente de 25 anos com história de ciclos menstruais normais queixa-se de ausência de menstruação há cerca de seis meses. Refere ter iniciado atividade física intensa e ter distúrbios alimentares nos últimos meses. Realizou avalição hormonal e foi identificada diminuição nas dosagens séricas de gonadotrofinas. Nega atividade sexual há um ano. Nesse caso, a amenorreia se caracteriza por
- A)síndrome de insensibilidade androgênica.
Errada: a síndrome de insensibilidade androgênica cursa com fenótipo feminino, amenorreia primária e contexto de cariótipo 46,XY, não com essa história de amenorreia secundária e gonadotrofinas baixas por exercício/dieta.
- B)hipergonadismo hipogonadotrófico de causa hipofisária.
Errada: lesão hipofisária pode causar hipogonadismo hipogonadotrófico, mas o enunciado aponta mais para supressão funcional hipotalâmica associada a atividade física intensa e distúrbio alimentar.
- C)hipergonadismo hipogonadotrófico de causa autoimune.
Errada: causa autoimune não é a melhor explicação aqui, porque o quadro clínico e o perfil hormonal são típicos de amenorreia funcional hipotalâmica por déficit energético.
- D)hipogonadismo hipogonadotrófico de causa hipotalâmica.
Certa: exercício intenso e transtorno alimentar reduzem GnRH hipotalâmico, levando a gonadotrofinas baixas e amenorreia hipogonadotrófica de origem hipotalâmica.
- E)hipogonadismo hipergonadotrófico de causa ovariana.
Errada: no comprometimento ovariano, o esperado é hipergonadotrofismo, com FSH e LH elevados por perda do feedback negativo, e não gonadotrofinas diminuídas.
Gabarito: D
Amenorreia é a ausência de menstruação e, quando aparece depois de um período de ciclos normais, a primeira ideia é pensar em causa adquirida. Aqui, o detalhe-chave é o contexto: exercício intenso, distúrbio alimentar e gonadotrofinas baixas. Esse trio é bem típico de supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano por estresse energético, com queda de GnRH e, em seguida, de FSH e LH. Quando o problema está no hipotálamo, a hipófise recebe menos estímulo e produz menos gonadotrofinas. Isso leva a uma amenorreia hipogonadotrófica. Na prática, é o corpo economizando energia e “desligando” funções reprodutivas que não são prioridade naquele momento. Por isso o gabarito é a alternativa D: hipogonadismo hipogonadotrófico de causa hipotalâmica. O quadro clássico é amenorreia funcional hipotalâmica, muito associada a perda ponderal, exercício excessivo, estresse e transtornos alimentares. Não há atividade sexual recente, então gravidez fica fora da jogada, e o padrão hormonal aponta para falha central, não ovariana. Em termos de raciocínio de prova, lembre deste mapa: gonadotrofinas baixas apontam para causa central; se a origem fosse ovariana, o esperado seria FSH e LH altos por perda do feedback negativo. Aqui a peça que faltava era justamente o local do problema: o hipotálamo.