Paciente 50 anos, sexo masculino, hipertenso, com dor torácica anterior de forte intensidade, dá entrada na Emergência com PA 94 x 65 mmHg em MSD e PA 70 x 40 mmHg em MSE, FC 114 bpm, FR 36 irpm. Ao exame: sonolento, diaforese, cianótico. Ausculta cardíaca com RCR 3T (B3) hiperfonese de B2 (P2>A2) e sopro diastólico em foco aórtico 3+/4+. Ausculta respiratória com crepitações bibasais. Radiografia de tórax com alargamento de mediastino. Assinale a opção que indica o diagnóstico desta complicação aguda e seu tratamento, respectivamente.
- A)Insuficiência aórtica e balão intra-aórtico.
A insuficiência aórtica até faz sentido no quadro, mas o balão intra-aórtico não é o tratamento indicado na dissecção aguda com acometimento de aorta ascendente.
- B)Estenose aórtica e balão intra-aórtico.
Estenose aórtica não explica dor súbita, mediastino alargado e diferença de pressão entre membros, e o balão intra-aórtico também não trata esse cenário.
- C)Insuficiência aórtica e cirurgia.
Correta: a dissecção de aorta ascendente pode causar insuficiência aórtica aguda e o tratamento definitivo é cirúrgico.
- D)Estenose aórtica e cirurgia.
Estenose aórtica não é a complicação aguda sugerida pelos achados clínicos e radiológicos do caso.
- E)Insuficiência aórtica, balão intra-aórtico e cirurgia.
A insuficiência aórtica pode ocorrer, mas o balão intra-aórtico não é a conduta definitiva e pode ser inadequado antes da correção cirúrgica.
Gabarito: C
O quadro descreve uma emergência vascular clássica: dor torácica intensa em paciente hipertenso, com diferença de pressão entre os membros, sopro diastólico em foco aórtico, congestão pulmonar e alargamento de mediastino na radiografia. Isso aponta para dissecção aguda de aorta, uma complicação dramática em que a parede da artéria se rompe internamente e o sangue passa a cavar um caminho novo dentro dela. Quando a dissecção envolve a aorta ascendente, pode comprometer a válvula aórtica e gerar insuficiência aórtica aguda. Aí aparece o sopro diastólico, hipotensão, edema agudo de pulmão e choque. O paciente pode piorar rápido, porque o ventrículo esquerdo passa a bombear sangue para a aorta e de volta para o coração ao mesmo tempo. Não é exatamente um quadro para “ganhar tempo”. Nessa situação, o tratamento definitivo é cirúrgico, especialmente quando há acometimento da aorta ascendente. O objetivo é reparar a lesão da aorta e impedir ruptura, tamponamento cardíaco, isquemia de órgãos e morte súbita. Balão intra-aórtico não resolve o problema aqui e pode até ser ruim, porque mexe no fluxo e na dinâmica da aorta lesada. Por isso, o gabarito C está correto: a complicação aguda é insuficiência aórtica, e o tratamento é cirurgia. Em prova, sempre que aparecer dor torácica abrupta, assimetria de pulsos ou pressões e mediastino alargado, pense primeiro em dissecção de aorta antes de sair culpando a válvula.