Um recém-nascido com estenose aórtica crítica, está sendo estudado pela equipe médica quanto à possibilidade de correção biventricular. Considere os seguintes fatores: I. presença de fibroelastose endocárdica; II. ponta do coração não formada pelo ventrículo esquerdo; III. presença de regurgitação mitral moderada. O(s) fator(es) relacionado(s) com aumento de mortalidade na correção biventricular é(são)
- A)I e II, apenas.
Correta, porque fibroelastose endocárdica e ponta do coração não formada pelo ventrículo esquerdo são fatores associados a pior prognóstico na correção biventricular.
- B)I e III, apenas.
Errada, porque a regurgitação mitral moderada não é o fator clássico cobrado como marcador principal de maior mortalidade nesse cenário.
- C)I, apenas.
Errada, porque a fibroelastose endocárdica sozinha não esgota os fatores de risco valorizados pela questão.
- D)III, apenas.
Errada, porque a regurgitação mitral moderada, isoladamente, não é o achado mais associado ao aumento de mortalidade aqui.
- E)I, II e III.
Errada, porque inclui a regurgitação mitral moderada, que não é apontada como fator determinante nessa correção.
Gabarito: A
Na estenose aórtica crítica do recém-nascido, a grande pergunta é se o coração vai conseguir sustentar uma correção biventricular, ou seja, manter o ventrículo esquerdo como câmara principal de bombeamento. Nem todo ventrículo esquerdo pequeno é inviável, mas alguns achados pesam bastante contra o sucesso da cirurgia. A lógica aqui é simples: quanto mais o ventrículo esquerdo estiver doente, remodelado ou mal formado, maior o risco depois da correção. Dois sinais chamam muita atenção porque sugerem pior prognóstico: a presença de fibroelastose endocárdica e a ponta do coração não ser formada pelo ventrículo esquerdo. A fibroelastose indica um ventrículo esquerdo com lesão estrutural importante, mais rígido e menos eficiente. Já a ponta do coração não formada pelo ventrículo esquerdo é um marcador anatômico de hipoplasia e de má participação desse ventrículo na geometria cardíaca, o que costuma dificultar a recuperação funcional após a correção. A regurgitação mitral moderada, por outro lado, não entra de forma clássica como fator isolado de aumento de mortalidade na correção biventricular nesse contexto. Ela pode acompanhar a doença e até influenciar a evolução, mas não é o achado mais valorizado como marcador principal de pior desfecho nessa pergunta. Em prova, a banca gosta de separar o que é relevante do que é apenas acompanhante do quadro. Por isso, o gabarito é a alternativa A: I e II, apenas. É a combinação de fibroelastose endocárdica e ausência de formação da ponta pelo ventrículo esquerdo que aponta para maior mortalidade na correção biventricular.