Em relação à infecção urinária no recém-nascido, após a primeira semana de vida, assinale a afirmativa correta.
- A)A infecção urinária no recém-nascido não está associada a malformações congênitas urinárias na primeira semana de vida, já que o recém-nascido vem de um ambiente estéril.
Errada: ITU no recém-nascido pode sim se associar a malformações urinárias e não se exclui essa relação na primeira semana de vida.
- B)A infecção urinária no recém-nascido ocorre apenas por via ascendente, por isto é mais comum nas meninas no período neonatal.
Errada: no recém-nascido a ITU não ocorre apenas por via ascendente, e a epidemiologia por sexo não segue essa simplificação como regra absoluta.
- C)A infecção urinária mais comum no recém-nascido é pelo estreptococo do grupo B.
Errada: embora o estreptococo do grupo B possa causar infecção neonatal, o agente mais comum de ITU no recém-nascido costuma ser a Escherichia coli.
- D)A análise da urina (EAS) tem alta especificidade e sensibilidade para infecção urinária no recém-nascido.
Errada: o EAS pode sugerir infecção, mas no recém-nascido ele não tem sensibilidade e especificidade tão altas a ponto de substituir a cultura.
- E)A hemocultura deve ser obtida na suspeita de infecção urinária porque o recém-nascido pode ter bacteremia pela mesma bactéria.
Certa: na suspeita de ITU neonatal, a hemocultura deve ser obtida porque pode haver bacteremia pelo mesmo agente.
Gabarito: E
A infecção urinária no recém-nascido merece um cuidado especial porque, diferente da criança maior, ela pode acontecer com poucos sinais e até se misturar com sepse. Depois da primeira semana de vida, a suspeita de ITU continua importante e deve vir acompanhada de investigação mais ampla, porque o recém-nascido pode ter bacteremia pelo mesmo agente que está na urina. Em outras palavras: não pense só na bexiga, pense no bebê inteiro. No período neonatal, a ITU pode estar associada a malformações do trato urinário e a infecção por via hematogênica também ganha destaque, especialmente nos primeiros dias. Por isso, quando há suspeita clínica, a avaliação não se limita ao exame de urina. É recomendável colher urocultura e também hemocultura, já que o mesmo microrganismo pode estar no sangue e na urina, principalmente em quadros mais graves ou com aspecto séptico. A alternativa correta é a letra E porque a hemocultura faz parte da abordagem do recém-nascido com suspeita de ITU, justamente pela chance de bacteremia concomitante. Isso é bem cobrado em neonatologia: no recém-nascido, ITU não é só um problema urológico, pode ser manifestação de infecção sistêmica. Na prática, o exame de urina isolado ajuda, mas não fecha diagnóstico sozinho com segurança no recém-nascido, e a cultura é o padrão mais útil. Então, se o bebê está na faixa neonatal e há suspeita de ITU, a coleta de sangue entra no pacote investigativo sem drama e sem economia de exames.