Mulher, 78 anos, com politraumatismo e traumatismo crânio encefálico (TCE) devido a um atropelamento, é encaminhada à emergência. Diante desta situação crítica, assinale a opção que apresenta os fatores que pioram o desfecho do traumatismo crânio encefálico dessa paciente politraumatizada.
- A)Hipotermia, hipertensão arterial e hipernatremia.
Errada, porque hipertensão arterial e hipernatremia não são os principais fatores clássicos de piora do TCE, enquanto a hipotermia pode até aparecer em cenários graves, mas a alternativa não traz o conjunto típico de agravamento.
- B)Lesões na carótida, alcalose e hipertensão arterial.
Errada, porque lesão de carótida pode ser grave, mas alcalose e hipertensão arterial não compõem o trio clássico que piora diretamente o prognóstico do TCE.
- C)Hipertermia, hipotensão intracraniana e hipernatremia.
Errada, porque hipertermia pode piorar lesão cerebral, mas “hipotensão intracraniana” não é fator real de piora do TCE nesse contexto e a combinação fica conceitualmente incorreta.
- D)Hiponatremia, hipertensão arterial e hipotensão intracraniana.
Errada, porque hiponatremia realmente é ruim no TCE, mas hipertensão arterial e hipotensão intracraniana não formam a associação correta de fatores agravantes.
- E)Hipotensão arterial, anemia e hiponatremia.
Certa, porque hipotensão arterial, anemia e hiponatremia reduzem perfusão, transporte de oxigênio e favorecem edema cerebral, piorando o desfecho do TCE.
Gabarito: E
No traumatismo cranioencefálico (TCE), o cérebro já chega “na corda bamba”: qualquer queda na oferta de oxigênio ou na perfusão piora muito o prognóstico. Por isso, em politraumatizado, os grandes vilões são hipotensão arterial, hipoxemia, anemia, febre, hiperglicemia e distúrbios hidroeletrolíticos que favoreçam edema cerebral. O raciocínio é simples: cérebro machucado tem pouca reserva, então menos sangue, menos oxigênio e mais inchaço significam pior desfecho. A hipotensão arterial é um dos fatores mais perigosos, porque reduz a pressão de perfusão cerebral. Em TCE, a recomendação clássica é evitar ao máximo qualquer episódio de hipotensão, pois ela aumenta mortalidade e sequelas neurológicas. Já a anemia também atrapalha, porque reduz o transporte de oxigênio para um tecido que está particularmente sensível à isquemia. A hiponatremia piora o quadro porque favorece deslocamento de água para o meio intracelular, aumentando edema cerebral e pressão intracraniana. Em um cérebro lesionado, isso pode ser a diferença entre estabilizar e descompensar. Por isso, o gabarito é a letra E: hipotensão arterial, anemia e hiponatremia são fatores que claramente agravam o desfecho do TCE. Em provas, pense sempre no tripé do TCE grave: manter pressão, manter oxigênio e evitar edema. Quando a banca mistura termos que parecem “alterações de exame” com “sinais de gravidade”, ela quer justamente ver se você separa o que protege do que piora a lesão cerebral.