Após consulta com Ginecologista, a paciente foi encaminhada ao Coloproctologista e diagnosticada com fístula retovaginal baixa, sem lesões esfincterianas e perineais aparentes. Foi optado pelo tratamento cirúrgico via vaginal para correção da lesão, utilizando o Retalho de Martius, que consiste em
- A)retalho miomucoso retal.
Errada, porque retalho miomucoso retal é tecido do reto e não corresponde ao retalho de Martius.
- B)retalho cutâneo e adiposo da prega infraglútea.
Errada, porque o retalho cutâneo e adiposo da prega infraglútea não é a técnica descrita para a correção vaginal da fístula.
- C)retalho do músculo bulbocavernoso e adiposo adjacente.
Certa, pois o retalho de Martius é formado pelo músculo bulbocavernoso e tecido adiposo adjacente.
- D)retalho do músculo grácil.
Errada, porque o retalho do músculo grácil é outra opção reconstrutiva, mas não é o Martius.
- E)retalho cutâneo e adiposo do corpo perineal tipo V-Y.
Errada, porque o retalho cutâneo e adiposo do corpo perineal tipo V-Y é outra técnica de reparo perineal, sem relação com Martius.
Gabarito: C
A fístula retovaginal baixa é aquela comunicação anormal entre reto e vagina localizada mais próxima do períneo, e quando não há lesão esfincteriana ou perineal aparente, a correção por via vaginal costuma ser uma boa escolha. Nesses casos, o cirurgião pode reforçar o fechamento com um retalho bem vascularizado para ajudar a cicatrização e reduzir recidiva. É aí que entra o retalho de Martius, clássico da cirurgia reconstrutiva vaginal. O retalho de Martius consiste no uso do músculo bulbocavernoso, junto com o tecido adiposo adjacente dos grandes lábios, geralmente mobilizado a partir da prega labiocrural. Na prática, ele funciona como um “colchão biológico” bem irrigado, interposto entre os planos suturados. Isso melhora a proteção do reparo e é especialmente útil em fístulas baixas, complexas ou recorrentes. Por isso, a alternativa C está correta: ela descreve exatamente o retalho de Martius como retalho do músculo bulbocavernoso e gordura adjacente. Não é um retalho retal, nem de coxa, nem de peritônio ou corpo perineal. A graça aqui é lembrar que o nome bonito esconde uma ideia simples: trazer tecido local, vascularizado e próximo da área lesionada. Em prova, quando aparecer "Martius", pense quase automaticamente em retalho lábio-perineal com bulbocavernoso e gordura. É um conceito muito cobrado em cirurgia ginecológica e coloproctológica por ser uma solução técnica elegante para reforço de fístulas vaginais.