A estimativa do risco hemorrágico é importante para orientar o início e a manutenção da anticoagulação oral para prevenção de tromboembolismo em pacientes com fibrilação atrial. Neste contexto, o escore HAS-BLED é o mais utilizado entre diversas sociedades de cardiologia, devido à sua ampla validação. Considerando esse escore como referência, assinale a opção que não está associada a um maior risco de sangramento em pacientes com fibrilação atrial considerados para anticoagulação oral crônica.
- A)Idade <65 anos.
Errada, porque o HAS-BLED atribui risco à idade maior que 65 anos, e não à idade menor que 65 anos.
- B)Alcoolismo.
Certa, pois consumo excessivo de álcool aumenta o risco de sangramento no HAS-BLED.
- C)Uso de anti-inflamatórios não-esteroidais.
Certa, porque o uso de anti-inflamatórios não esteroidais eleva o risco hemorrágico.
- D)Hepatopatia com bilirrubina >2 vezes o limite superior.
Certa, pois hepatopatia com bilirrubina acima de 2 vezes o limite superior é critério de risco no HAS-BLED.
- E)Hipertensão arterial não controlada (PA sistólica > 160 mmHg).
Certa, já que hipertensão arterial não controlada com PAS acima de 160 mmHg aumenta o risco de sangramento.
Gabarito: A
O escore HAS-BLED é uma ferramenta clássica para estimar risco de sangramento em pacientes com fibrilação atrial quando se pensa em anticoagulação oral. Ele ajuda a identificar fatores que aumentam a chance de hemorragia, como hipertensão descontrolada, alteração da função hepática ou renal, AVC prévio, história de sangramento, INR lábil, idade avançada, uso de drogas que aumentam sangramento e consumo excessivo de álcool. Na prática, o HAS-BLED não serve para “proibir” anticoagulação automaticamente, e sim para mostrar onde o paciente merece mais cuidado, ajuste de fatores de risco e seguimento mais próximo. É aquele lembrete do cardiologista: antes de passar o anticoagulante, vale olhar o terreno onde ele vai agir. A alternativa correta é a letra A, porque idade menor que 65 anos não faz parte dos critérios do HAS-BLED. O escore considera idade maior que 65 anos como fator de risco, então ser mais jovem não aumenta o ponto na escala. As demais opções descrevem itens reais do HAS-BLED: alcoolismo, uso de anti-inflamatórios não esteroidais, hepatopatia com bilirrubina elevada e hipertensão arterial não controlada. Esse é exatamente o tipo de detalhe que a FGV gosta de cobrar: um número trocado aqui, uma idade invertida ali, e pronto, a armadilha está armada.