Em novembro podemos encontrar diversas discussões sobre prematuridade em função da campanha do novembro roxo, destinada a este grupo de paciente dentre esses assuntos destaca-se a apneia da prematuridade. Sobre esse distúrbio respiratório, é correto afirmar que
- A)a apneia da prematuridade é definida por qualquer pausa na respiração independente do período de duração e se está acompanhada de bradicardia.
Errada, porque apneia da prematuridade não é qualquer pausa respiratória: o conceito depende de duração e do contexto clínico, frequentemente com bradicardia e dessaturação.
- B)o tratamento inclui observação e não são necessários exames laboratoriais para investigar condições associadas como sepse, hipoglicemia e anemia.
Errada, porque a investigação deve buscar causas associadas, como sepse, hipoglicemia e anemia, antes de atribuir tudo à prematuridade.
- C)o tratamento inclui a administração de metilxantinas.
Certa, porque o tratamento medicamentoso clássico inclui metilxantinas, especialmente a cafeína, que estimula o centro respiratório.
- D)está indicado sempre realizar intubação orotraqueal para proteção contra hipóxia e lesão do sistema nervoso central.
Errada, porque intubação orotraqueal não é indicada sempre; ela fica reservada para casos graves ou refratários.
- E)o uso de cepap está contraindicado nesses casos pelo risco de pneumotórax.
Errada, porque o CPAP pode ser usado no suporte respiratório do prematuro e não é contraindicado de forma geral pelo risco de pneumotórax.
Gabarito: C
A apneia da prematuridade é um tema clássico da neonatologia e costuma aparecer quando o examinador quer saber se você reconhece o padrão correto do diagnóstico e do tratamento. Ela ocorre em prematuros por imaturidade do centro respiratório, e não deve ser tratada como qualquer “pausinha” no sono do bebê. Em geral, considera-se apneia quando há pausa respiratória prolongada, especialmente se vier acompanhada de bradicardia e dessaturação, depois de afastar outras causas importantes. Na prática, o manejo começa com medidas de suporte e com a investigação de problemas associados, como sepse, hipoglicemia, anemia, distúrbios metabólicos e outros fatores que podem piorar o quadro. Ou seja, não é uma situação para simplesmente observar e torcer para melhorar sozinha. O raciocínio clínico aqui é essencial: primeiro você exclui causas secundárias, depois trata a apneia em si. É nesse ponto que entram as metilxantinas, principalmente a cafeína, que é o tratamento medicamentoso clássico da apneia da prematuridade. Ela estimula o centro respiratório e reduz a frequência dos episódios apneicos. Por isso, a alternativa C está correta: o tratamento inclui a administração de metilxantinas. Como complemento, pode haver uso de CPAP em alguns casos, além de oxigenoterapia e, raramente, ventilação mecânica se o quadro for grave. Intubação não é rotina para todo paciente, e CPAP não é contraindicado de forma geral. O objetivo é estabilizar o recém-nascido com a menor agressão possível, porque o prematuro já tem trabalho suficiente na missão de respirar e crescer ao mesmo tempo.