Masculino, 60 anos, cirrótico, portador do vírus da hepatite C foi submetido ao tratamento antiviral específico. Evoluiu satisfatoriamente e atingiu a resposta virológica sustentada. O rastreamento do carcinoma hepatocelular, em pacientes cirróticos, deve ser realizado
- A)a cada seis meses.
Correta, porque em pacientes cirróticos o rastreamento do carcinoma hepatocelular deve ser feito a cada 6 meses, mesmo após resposta virológica sustentada.
- B)uma vez por ano.
Errada, porque um intervalo anual é longo demais para vigilância oncológica em cirrose.
- C)a cada dois anos.
Errada, porque dois anos aumenta muito a chance de diagnóstico tardio do tumor.
- D)a cada três anos.
Errada, porque três anos é um intervalo incompatível com o risco persistente da cirrose.
- E)a cada cinco anos.
Errada, porque cinco anos definitivamente não atende à necessidade de rastreamento em alto risco.
Gabarito: A
Em paciente cirrótico, o rastreamento do carcinoma hepatocelular não pode relaxar, mesmo que ele tenha tratado a hepatite C e conseguido resposta virológica sustentada. Isso porque a cirrose, por si só, mantém risco elevado de desenvolver carcinoma hepatocelular. Na prática, o acompanhamento continua sendo feito com ultrassonografia abdominal a cada 6 meses, com ou sem alfa-fetoproteína, conforme o protocolo do serviço. A lógica aqui é simples: o antiviral resolve a agressão viral, mas não apaga imediatamente o terreno já fibrosado do fígado. É como tirar o fogo e ainda assim checar a casa, porque o estrago estrutural continua lá. Por isso, mesmo após cura virológica, o paciente cirrótico segue no programa de vigilância. Esse intervalo semestral é o mais cobrado em prova e está alinhado com as recomendações de sociedades como AASLD e EASL, além da prática consolidada em hepatologia. A ideia é detectar tumores em fase inicial, quando há chance de tratamento curativo. Então, em cirrótico, rastreamento de carcinoma hepatocelular é semestral. Se a prova trouxer paciente com hepatite C curada, não caia na tentação de pensar que o risco zerou. No cirrótico, ele continua relevante.