O Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública tem como um de seus objetivos promover a incorporação de iniciativas inovadoras para aprimorar o controle da tuberculose. Uma das estratégias previstas é incorporar oportunamente novas tecnologias para o diagnóstico rápido da infecção. A respeito de tais tecnologias, assinale a afirmativa correta.
- A)O teste rápido molecular (TRM-TB) do escarro pode ser utilizado para o diagnóstico de tuberculose pulmonar e de resistência a rifampicina, isoniazida e pirazinamida, em adultos com sintomas típicos da doença.
Errada: o TRM-TB detecta tuberculose e resistência à rifampicina, não à isoniazida nem à pirazinamida.
- B)O teste de detecção do antígeno lipoarabinomanana em amostras de urina possui boa especificidade para o diagnóstico de tuberculose ativa em pessoas que vivem com HIV com contagem de linfócitos T-CD4 ≤ 100 células/μL.
Certa: o teste urinário de LAM tem utilidade em pessoas com HIV e CD4 muito baixo, com boa especificidade para tuberculose ativa.
- C)O ensaio de liberação de interferon-gama para tuberculose (IGRA) é um método quantitativo que permite a diferenciação entre infecção latente e doença em atividade, com pontos de corte bem definidos para imunocompetentes.
Errada: o IGRA não diferencia infecção latente de doença ativa, apenas sugere infecção por M. tuberculosis.
- D)A detecção no sangue periférico da adenosina-deaminase (ADA) por métodos imunocromatográficos auxilia no diagnóstico de tuberculose extrapulmonar em adultos imunocomprometidos e crianças não vacinadas com BCG.
Errada: ADA é um marcador clássico de líquidos biológicos, como pleural e liquor, e não de sangue periférico por método imunocromatográfico.
- E)Os testes moleculares em fita – Line probe assay – em amostras teciduais podem detectar material genético da micobactéria e genes codificadores de resistência à rifampicina em amostras nas quais o TRM-TB foi negativo.
Errada: o line probe assay é um teste molecular, mas a afirmação generaliza seu uso em amostras teciduais após TRM negativo de forma inadequada para a prática de rotina.
Gabarito: B
Na tuberculose, a ideia hoje é correr atrás do tempo, porque esperar cultura pode ser lento demais para quem está sintomático. Por isso, os testes moleculares ganharam espaço, mas cada um tem sua janela de uso bem definida. A banca adora trocar uma tecnologia pela outra, então vale lembrar o que cada exame realmente entrega e onde ele falha. O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB), em geral, detecta o complexo M. tuberculosis e pesquisa resistência à rifampicina. Ele não serve para sair prometendo resistência a outras drogas como isoniazida e pirazinamida, então não caia nessa. Já o IGRA ajuda a identificar infecção por M. tuberculosis, mas não separa infecção latente de doença ativa, ou seja, ele não faz milagre diagnóstico. A alternativa correta é a B porque o antígeno lipoarabinomanana (LAM) na urina pode ser útil em pessoas vivendo com HIV, especialmente com CD4 muito baixo, em que a carga bacilar e o risco de doença ativa são maiores. Nessa população, o teste tem utilidade prática e boa especificidade para apoiar o diagnóstico de tuberculose ativa, funcionando como um atalho importante quando o quadro é grave e o diagnóstico precisa andar rápido. Em resumo: a banca quer que você saiba que o LAM urinário tem papel mais relevante em imunossuprimidos com HIV avançado, enquanto os demais testes são frequentemente confundidos quanto ao que detectam e ao tipo de amostra em que realmente ajudam.