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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Pacientes com doença falciforme politransfundidos e que apresentam positividade para o antígeno e (Rh5) desenvolvem, com alguma frequência, anticorpos anti-e (anti-Rh5). Assinale a opção que corresponde à explicação para este fenômeno.

Gabarito: C

Na doença falciforme, o paciente costuma receber muitas transfusões e, com isso, fica exposto repetidamente a antígenos eritrocitários diferentes. O sistema Rh é um dos campeões de gerar confusão imunológica, porque ele tem muitas variações e variantes moleculares, especialmente em pacientes com ancestralidade africana, o que é comum na população com doença falciforme. O detalhe importante aqui é que o paciente pode ser fenotipicamente "e positivo" nos testes de rotina, mas ter uma variante do antígeno e no nível molecular. Nesse cenário, o organismo reconhece como estranho o e presente nas hemácias transfundidas e passa a produzir anticorpos anti-e. Ou seja: não é que o teste esteja necessariamente errado; o problema é que o antígeno do paciente não é o mesmo "e clássico" das bolsas transfundidas. Por isso, a explicação correta é a mutação no antígeno e (Rh5) do paciente, que configura uma variante parcial ou alterada do antígeno. Isso leva à aloimunização após transfusões repetidas, com produção de anticorpos anti-e. Em hemoterapia, esse é um ponto muito cobrado: paciente pode parecer compatível na tipagem, mas ainda assim imunizar-se contra variantes do próprio sistema Rh. Em resumo, o mecanismo é de discrepância antigênica por variante do Rh, e não autoimunidade nem erro simples de tipagem. Na prática transfusional, isso justifica a busca por fenotipagem/matching mais detalhado em pacientes politransfundidos, especialmente nos com doença falciforme.

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