Paciente de 67 anos, sexo masculino, tabagista, hipertenso e dislipidêmico, apresenta-se em consulta ambulatorial com relato de piora da claudicação intermitente, evoluindo no momento para dor em repouso. Ao exame físico dos membros superiores, observa-se baqueteamento digital, porém pulsos radiais amplos e simétricos. Na avaliação dos pulsos dos membros inferiores, observam-se pulsos femorais amplos, pulsos poplíteos ausentes, e pulsos podálicos também ausentes. As classificações Fontaine e Rutherford para o caso apresentado são:
- A)Fontaine IV; Rutherford III 5.
Errada, porque Fontaine IV exige lesão trófica ou gangrena, e Rutherford III 5 indica perda tecidual, o que não foi descrito.
- B)Fontaine I; Rutherford 0.
Errada, porque Fontaine I e Rutherford 0 correspondem a doença assintomática, o oposto do caso apresentado.
- C)Fontaine III; Rutherford II 4.
Certa, porque dor em repouso caracteriza Fontaine III e corresponde a isquemia crítica na classificação de Rutherford.
- D)Fontaine IIa; Rutherford I 2.
Errada, porque Fontaine IIa é claudicação leve, enquanto o paciente já evoluiu para dor em repouso.
- E)Fontaine IIb; Rutherford I 3.
Errada, porque Fontaine IIb ainda é claudicação mais limitante, sem dor em repouso, que já marca estágio mais avançado.
Gabarito: C
Na doença arterial obstrutiva periférica, a classificação de Fontaine e a de Rutherford ajudam a transformar a história do paciente em um “mapa” da isquemia. Na prática, você olha principalmente para os sintomas: claudicação, dor em repouso e lesão trófica. Quanto mais o quadro avança, mais a circulação está falhando para suprir o membro mesmo sem esforço. Pela Fontaine, o paciente com claudicação intermitente evoluindo para dor em repouso está em estágio III, porque esse estágio corresponde exatamente à dor isquêmica em repouso. O estágio II fica para a claudicação: IIa quando a distância de marcha é maior, IIb quando é menor. Quando aparece dor em repouso, já não é mais só “dor ao caminhar”, é isquemia mais grave. Na Rutherford, a mesma lógica vale, mas a banca às vezes cobra a nomenclatura com um pouco mais de detalhe. A dor em repouso corresponde ao quadro de isquemia crítica, e o ponto-chave é reconhecer que isso não é claudicação simples. O gabarito C está correto porque o enunciado descreve exatamente progressão para dor em repouso, o que fecha Fontaine III e Rutherford com dor isquêmica em repouso. Os pulsos femorais preservados com ausência de pulsos poplíteos e podálicos sugerem doença obstrutiva mais distal, em especial no segmento femoropoplíteo. Isso ajuda a localizar a lesão, mas não muda a classificação funcional, que depende da clínica. Em resumo: se tem dor em repouso, saiu da fase de claudicação e entrou em isquemia mais avançada.