Acerca das contraturas isquêmicas de Volkmann, analise as afirmativas a seguir. I. A contratura de Volkmann é a sequela tardia do dano isquêmico causado pela síndrome compartimental, caracterizada por ausência de dor, contraturas musculares fixas e disfunções neurológicas. II. A contratura de Volkmann possui uma apresentação clínica constante, de modo que a classificação mais comum a divide em leve, moderada e grave. III. Os casos de retrações cicatriciais musculares ou de encarceramentos tendinosos ao redor de fraturas consolidadas ou de implantes, podem gerar contraturas de manifestação clínica similar às contraturas de Volkmann, diferenciadas pela etiologia não isquêmica. Está correto o que se afirma em
- A)I e III, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e III. A I descreve a contratura de Volkmann como sequela tardia de isquemia por síndrome compartimental, com deformidade fixa e disfunção neurológica, em que a dor aguda do quadro compartimental deixa de ser o achado dominante. A III também está correta, porque retrações cicatriciais musculares e aderências tendíneas após fraturas consolidadas ou implantes podem produzir um quadro clínico semelhante, mas com etiologia não isquêmica.
- B)I e II, apenas.
A alternativa sustenta que as corretas seriam I e II. Embora a I esteja de acordo com a fisiopatologia da contratura de Volkmann, a II erra ao tratar a apresentação clínica como constante, porque o quadro varia conforme a extensão da lesão muscular e nervosa. A classificação em leve, moderada e grave existe para graduar a gravidade, como na classificação de Tsuge, e não porque a clínica seja uniforme.
- C)II e III, apenas.
A alternativa aponta II e III como verdadeiras. A III está bem colocada ao reconhecer que retrações cicatriciais e encarceramentos tendíneos podem mimetizar a contratura de Volkmann, mas sem origem isquêmica. O problema está na II, pois a contratura não tem apresentação clínica fixa e única; ela se manifesta em espectros de gravidade diferentes, o que torna inadequada a ideia de constância clínica.
- D)I, II e III.
A alternativa afirma que I, II e III estariam corretas. Isso não se sustenta porque a II contém o erro de atribuir à contratura de Volkmann uma apresentação clínica constante, quando na prática há variações importantes de intensidade e comprometimento anatômico. As afirmativas I e III estão em linha com a fisiopatologia e com os quadros semelhantes não isquêmicos, mas a presença da II invalida o conjunto.
- E)II, apenas.
A alternativa diz que apenas a II estaria correta. O enunciado da II é justamente o ponto incorreto, porque a contratura de Volkmann não possui clínica constante, e a divisão em leve, moderada e grave serve apenas para graduar a extensão do dano. Além disso, as afirmativas I e III descrevem adequadamente a sequela isquêmica e os quadros mimetizadores de origem não isquêmica.
Gabarito: A
A contratura isquêmica de Volkmann é uma sequela tardia da síndrome compartimental mal tratada, isto é, quando o músculo sofre isquemia por tempo suficiente para evoluir com fibrose, retração e déficit funcional. O resultado clássico é a deformidade em flexão, com rigidez, contraturas fixas e comprometimento neurológico, o que ajuda a diferenciar de outras causas de limitação do movimento. Na fase aguda da síndrome compartimental, a dor costuma ser o grande sinal de alerta. Já na fase tardia, depois que a lesão isquêmica se consolida, a clínica muda para deformidade e perda funcional. Por isso, a afirmativa I está correta ao apontar Volkmann como uma sequela tardia do dano isquêmico, com contraturas fixas e disfunções neurológicas. A afirmativa II erra porque a apresentação clínica não é tão "constante" assim. Existe sim classificação por gravidade em leve, moderada e grave em algumas referências, mas isso não significa que o quadro tenha sempre a mesma forma de apresentação. A banca adora colocar uma verdade parcial junto de uma palavra traiçoeira, aqui foi o "constante". A afirmativa III também está correta: retrações cicatriciais musculares e encarceramentos tendinosos ao redor de fraturas consolidadas ou implantes podem produzir uma deformidade parecida com a de Volkmann, mas sem a causa isquêmica. Em ortopedia, nem toda mão ou membro em flexão é Volkmann: às vezes o problema é cicatriz, tendão preso ou outra sequela mecânica.