Pacientes com lesões agudas do ligamento cruzado posterior podem evoluir com instabilidades crônicas e osteoartrites, principalmente em pacientes jovens. Sobre a avaliação dessas lesões e os tratamentos, assinale a afirmativa correta.
- A)O ligamento de Humphry percorre anterior ao LCP.
Certa: o ligamento meniscofemoral de Humphry é o anterior e passa anteriormente ao LCP.
- B)O joelho que demonstra translação posterior aumentada com 60o de flexão do joelho, semelhante ao limite da translação posterior a 90o , indica lesão associada às estruturas póstero laterais e ligamento colateral medial.
Errada: aumento de translação posterior em 60 graus e 90 graus não aponta, por si, para lesão associada de estruturas póstero-laterais e ligamento colateral medial dessa forma descrita.
- C)As terminações nervosas livres e os mecanorreceptores, que se acredita possuírem função proprioceptiva no joelho, foram identificados apenas no terço médio e na superfície do ligamento cruzado anterior.
Errada: terminações nervosas livres e mecanorreceptores não foram identificados apenas no terço médio e na superfície do LCA, e a frase generaliza incorretamente a distribuição.
- D)Os resultados da reconstrução do LCP nos joelhos com rupturas crônicas são tão favoráveis quanto aqueles que recebem a reconstrução por lesões agudas.
Errada: a reconstrução do LCP em rupturas crônicas não tem resultados tão favoráveis quanto nos casos agudos.
- E)O LCP é o principal limitador da translação tibial anterior por toda a flexão do joelho, com exceção do pequeno aumento na translação anterior na completa extensão
Errada: o LCP é o principal limitador da translação tibial posterior, e não da anterior.
Gabarito: A
As lesões do ligamento cruzado posterior (LCP) parecem mais “silenciosas” no começo do que as do LCA, mas podem virar um problema chato no longo prazo: instabilidade crônica e desgaste articular. Por isso, a avaliação clínica é importante e não deve se limitar a olhar só um teste isolado. Você precisa pensar no joelho como um conjunto: LCP, cantos póstero-laterais, ligamento colateral medial e outras estruturas que podem mudar bastante o exame físico. Na prática, o LCP é o principal freio da translação posterior da tíbia. Já os ligamentos meniscofemorais, que são coadjuvantes dessa região, ajudam a confundir quem decora sem visualizar a anatomia. O ligamento de Humphry é o meniscofemoral anterior e passa anteriormente ao LCP; o de Wrisberg é o posterior e passa posteriormente ao LCP. Isso é anatomia clássica, muito cobrada em prova porque parece detalhe, mas cai com gosto. A questão também mistura conceitos de lesão isolada e lesão associada. Aumento importante de translação posterior em diferentes graus de flexão pode sugerir lesões combinadas, especialmente com estruturas póstero-laterais, e não um raciocínio simples como o da alternativa. Além disso, reconstrução do LCP em lesões crônicas costuma ter desfechos menos previsíveis do que nos casos agudos, justamente porque o joelho já “aprendeu” a instabilidade. Resumo de prova: o LCP segura a tíbia para trás; o Humphry passa na frente dele; o Wrisberg, atrás. Se você lembrar disso, já elimina a principal armadilha da questão sem suar a camiseta.