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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo masculino, 47 anos, procura atendimento com queixa de rinorreia, cefaleia, dor de garganta e tosse seca há duas semanas. Nega comorbidades. É tabagista carga tabágica 10 maços/ano, consome 1 taça de vinho por noite. Faz atividade física. Ao exame lúcido, orientado no tempo e no espaço, febril, tax 38,2ºC, FC 98bpm, PA 110 x 70mmHg, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Dor a palpação dos seios maxilares, orofaringe hiperemiada, linfonodomegalia cervical anterior dolorosa à palpação. Exames laboratoriais: Leucócitos 59.000/mm3 ; Neutrófilos 42%; Mielócitos 30%; Metamielocitos 8%; Bastões 1%; Bastos 1%; Eosinófilos 6%; Basófilos 4%; e Fosfatase Alcalina 50. O diagnóstico mais adequado é

Gabarito: B

Aqui a pista principal é o hemograma: leucocitose importante com desvio à esquerda bem marcado, aparecendo muitas formas jovens da série granulocítica, como mielócitos e metamielócitos. Isso não é o padrão de uma infecção comum apenas, porque há um predomínio de células mieloides em diferentes estágios de maturação, algo muito típico de uma neoplasia mieloproliferativa. Na leucemia mieloide crônica, é clássico encontrar leucócitos muito elevados, com basofilia, eosinofilia e presença de mielócitos no sangue periférico. Outro achado que ajuda bastante é a fosfatase alcalina leucocitária baixa, diferente do que costuma ocorrer em reações leucemoides. O quadro clínico pode até confundir com infecção respiratória, porque o paciente tem febre e sintomas de vias aéreas superiores, mas o exame laboratorial entrega o jogo. A leucemia mieloide aguda costuma aparecer com blastos em grande quantidade, e não com essa maturação em várias etapas. Já a leucemia linfoide aguda é mais comum em outros perfis e também se caracteriza por blastos linfoides, não por mielócitos. Linfoma folicular e doença de Hodgkin são linfomas, ou seja, doenças do sistema linfático, e não explicam esse padrão hematológico tão característico da série mieloide. Então, juntando o hemograma com a fosfatase alcalina baixa e o desvio à esquerda com mielócitos, o diagnóstico mais adequado é leucemia mieloide crônica. Em prova, quando aparecer leucocitose muito alta com basófilos, eosinófilos e várias formas maduras e imaturas da linhagem granulocítica, vale acender a luz amarela da LMC.

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