Mulher de 59 anos com queixa de prurido intenso da vulva. Ao exame clínico são encontradas pápulas e placas brancas peroladas com limites bem definidos afetando a região em torno do clitóris e os pequenos lábios. Realizou biopsia e o estudo histopatológico descreve epiderme adelgaçada e retraída, com hiperqueratose, edema e depósito de fibrina abaixo do epitélio, além de infiltrado inflamatório linfocítico na derme. Nesse caso, o tratamento é
- A)propionato de clobetasol tópico.
Correta, pois o propionato de clobetasol tópico é o tratamento de primeira linha do líquen escleroso vulvar.
- B)vulvectomia radical.
Incorreta, vulvectomia radical não é tratamento dessa dermatose e só teria papel em situações oncológicas selecionadas.
- C)exérese cirúrgica dos pequenos lábios.
Incorreta, exérese dos pequenos lábios não trata o processo inflamatório crônico e ainda seria uma abordagem excessiva.
- D)progesterona tópica.
Incorreta, progesterona tópica não tem indicação para líquen escleroso vulvar.
- E)tamoxifeno via oral.
Incorreta, tamoxifeno via oral não é usado para essa condição vulvar.
Gabarito: A
O quadro descreve líquen escleroso vulvar, uma dermatose inflamatória crônica muito comum no climatério e na pós-menopausa. O prurido costuma ser intenso e as lesões aparecem como placas brancas, peroladas, bem delimitadas, com aspecto de pele fina e frágil, atingindo clitóris e pequenos lábios. Na biópsia, a epiderme fica adelgaçada, há hiperqueratose, edema e um infiltrado linfocítico na derme, que praticamente desenha o diagnóstico na prova. O tratamento de primeira linha é corticoide tópico de alta potência, especialmente o propionato de clobetasol. Ele reduz inflamação, alivia o prurido e ajuda a controlar a doença, que costuma ser crônica e recidivante. Em geral, não é caso de cirurgia, e sim de tratamento clínico bem feito e seguimento. A ideia é simples: lesão vulvar branca + coceira importante + histologia típica = pensar em líquen escleroso. Como a doença também aumenta o risco de transformação maligna local em casos persistentes, o acompanhamento regular é importante. Na prática de concurso, se a banca descreve esse cenário clássico, o remédio que ela quer ouvir é o corticoide tópico potente. Por isso o gabarito A está correto. As demais opções lembram tratamentos de outras situações ginecológicas, mas não tratam essa dermatose inflamatória vulvar.