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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

O paciente, vítima de trauma crânio-encefálico grave, que apresenta à tomografia computadorizada de crânio cisternas de base comprimidas ou ausentes e um desvio de linha média entre 0-5 mm, sem lesão de densidade alta ou mista > 25mL, apresenta-se à classificação tomográfica de Marshall como

Gabarito: D

A classificação tomográfica de Marshall é um jeito de organizar o TCE grave pela TC de crânio, principalmente olhando três coisas: estado das cisternas basais, desvio de linha média e presença de lesão expansiva. Ela ajuda a estimar gravidade e prognóstico, então não é só um nome bonito no laudo, ela conversa com risco real de hipertensão intracraniana e pior evolução. No Marshall, quando as cisternas de base estão comprimidas ou ausentes e o desvio de linha média é de 0 a 5 mm, sem lesão hiperdensa ou mista maior que 25 mL, você está diante de uma lesão difusa tipo III. A pegadinha aqui é justamente lembrar que o desvio pequeno não tira a gravidade se as cisternas já estão apagadas. A lógica é esta: tipo I é TC normal ou quase normal; tipo II mantém cisternas presentes e desvio menor ou igual a 5 mm; tipo III já traz cisternas comprimidas ou ausentes, mas ainda sem grande desvio; tipo IV aparece quando o desvio passa de 5 mm; e tipo V é o hematoma ou lesão evacuada. Ou seja, a descrição da questão bate direitinho com o tipo III, que é o gabarito D. Em prova, a banca costuma trocar um detalhe por outro, como cisternas e desvio de linha média, porque sabe que isso derruba muita gente. Então, se as cisternas sumiram ou ficaram esmagadas, você já pensa em difusa mais grave, mesmo sem grande desvio.

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