Mulher de 60 anos procura ortopedista para investigação de dor e rigidez em cinturas escapulares e pélvicas de três meses de evolução, além de febre baixa, astenia e emagrecimento. Na anamnese dirigida, o médico identifica claudicação de mandíbula e cefaleia constante de início recente. O diagnóstico mais provável é:
- A)polimiosite;
Polimiosite causa fraqueza muscular proximal, mas não costuma dar cefaleia nova nem claudicação de mandíbula.
- B)lúpus eritematoso sistêmico;
Lúpus eritematoso sistêmico pode ter sintomas constitucionais e artralgias, porém esse padrão em idosa com sintomas cranianos é pouco compatível.
- C)arterite temporal;
Correta: o conjunto de cefaleia nova, claudicação de mandíbula, sintomas sistêmicos e dor proximal em idosa sugere arterite temporal.
- D)artrite reumatoide;
Artrite reumatoide pode causar rigidez e dor, mas o quadro craniano isquêmico e a faixa etária favorecem outra vasculite.
- E)poliangeíte microscópica.
Poliangeíte microscópica é vasculite de pequenos vasos e costuma vir com acometimento renal e pulmonar, não com esse padrão típico de artéria temporal.
Gabarito: C
A dor e rigidez em cinturas escapulares e pélvicas em uma mulher idosa, com febre baixa, astenia e emagrecimento, fazem pensar primeiro em polimialgia reumática. O detalhe que muda o jogo é a presença de cefaleia nova e claudicação de mandíbula, que são sinais clássicos de arterite de células gigantes, também chamada arterite temporal. Em prova, quando aparece esse combo em paciente acima de 50 anos, acende a luz vermelha imediatamente. A arterite temporal é uma vasculite de vasos de grande e médio calibre, ligada a um processo inflamatório granulomatoso, com predileção por ramos da carótida externa, especialmente a artéria temporal. O quadro pode cursar com dor à palpação do couro cabeludo, alteração visual e até amaurose súbita. A claudicação mandibular é muito sugestiva porque a musculatura da mastigação "reclama" quando falta fluxo sanguíneo durante o esforço. A polimialgia reumática pode vir junto e explicar a dor proximal e a rigidez matinal, mas isoladamente não justifica cefaleia nova nem claudicação de mandíbula. Por isso, a associação dos sintomas sistêmicos com sintomas cranianos e isquêmicos aponta para arterite temporal. O tratamento é urgente, geralmente com corticoide em dose alta, para evitar complicações oculares irreversíveis. Em resumo: idoso, dor proximal, sintomas constitucionais e sinais de isquemia em território craniano = pense em arterite temporal até prova em contrário. Na prática e na prova, o raciocínio é rápido porque o risco maior é perder visão, e ninguém quer isso no currículo do plantão.