Suponha que um estudo transversal, realizado na cidade de XXX, para avaliar a prevalência de hipertensão arterial (HTA) em adultos tenha evidenciado que pessoas empregadas, inseridas no mercado de trabalho, e que são indivíduos relativamente jovens e saudáveis, por falta de tempo para entrevistas e exames, se recusaram mais frequentemente a participar do estudo; já as pessoas aposentadas e as desempregadas, que constituem um grupo potencialmente menos saudável, aderiram mais facilmente ao estudo. Nesse caso, espera-se que o resultado da prevalência de HTA nesse estudo esteja
- A)superestimado.
Certa, porque a recusa maior dos mais saudáveis e a adesão maior dos menos saudáveis tendem a inflar a prevalência estimada de HTA.
- B)subestimado.
Errada, porque a saída seletiva dos indivíduos mais saudáveis não reduz, mas aumenta a proporção de hipertensos na amostra.
- C)inalterado.
Errada, pois a amostra ficou enviesada pela adesão desigual e isso altera a estimativa da prevalência.
- D)afetado pelo viés de Hawthorne.
Errada, porque viés de Hawthorne ocorre quando o participante modifica sua conduta por estar sendo observado, o que não é o caso.
- E)afetado pelo viés de memória.
Errada, porque viés de memória depende da recordação de informações passadas, típico de estudos retrospectivos, e não de recusa seletiva à participação.
Gabarito: A
Quando um estudo tem muita gente que deveria participar, mas não participa, você precisa pensar em viés de seleção. Aqui, os empregados, mais jovens e mais saudáveis, recusaram com mais frequência, enquanto aposentados e desempregados, potencialmente menos saudáveis, aderiram mais. Isso faz a amostra ficar desproporcionalmente composta por pessoas com maior chance de ter hipertensão. Resultado: a prevalência encontrada tende a ficar maior do que a real na população. Em outras palavras, o estudo puxa o número para cima, porque perdeu justamente parte do grupo que provavelmente teria menos HTA e ganhou mais gente do grupo com pior perfil de saúde. Não é viés de Hawthorne, porque esse viés aparece quando a pessoa muda o comportamento por saber que está sendo observada. Também não é viés de memória, que é clássico em estudos retrospectivos, especialmente quando o erro depende da lembrança de exposições passadas. Aqui o ponto central é mesmo a não participação seletiva, um viés de seleção que distorce a estimativa de prevalência. Em prova, pense assim: se os mais saudáveis ficam de fora e os menos saudáveis entram mais, a doença parece mais frequente do que realmente é.