As opções a seguir apresentam indicações de rastreio para diabetes Tipo 2, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Homem, 45 anos, HAS+, sedentário, com circunferência abdominal de 97cm.
Certa, porque homem de 45 anos já entra na faixa etária de rastreio, e a HAS e o sedentarismo reforçam o risco.
- B)Mulher de 44 anos, em uso de TARV há 10 anos, fumante.
Certa, porque HIV com uso de TARV aumenta risco metabólico e justifica rastreio de diabetes tipo 2.
- C)Homem de 29 de idade, diagnosticado com doença psiquiátrica grave, em crônico de antipsicóticos.
Certa, porque o uso crônico de antipsicóticos é fator associado a ganho de peso e alteração glicêmica.
- D)Rapaz de 22 anos, com 1,70 de altura e 68kg, sedentário, pais com DM2 e hipertensos, assintomático.
Errada, porque ele tem 22 anos e IMC normal; apenas sedentarismo e história familiar, sem sobrepeso/obesidade, não configuram a indicação típica de rastreio.
- E)Puérpera, amamentando exclusivamente ao seio materno, que relata que seu bebê teve “muito líquido na bolsa” por um exame que acusou “diabetes gestacional” em sua gravidez.
Certa, porque antecedente de diabetes gestacional exige rastreio no puerpério e seguimento posterior pela maior chance de DM2.
Gabarito: D
O rastreio do diabetes tipo 2 não depende só de “ter sintomas”. Na prática, ele é indicado em pessoas com idade maior ou igual a 35 anos, e também em adultos mais jovens quando há sobrepeso ou obesidade associado a fatores de risco. Entre esses fatores entram sedentarismo, hipertensão, uso de antipsicóticos, HIV com TARV, e história de diabetes gestacional, entre outros. A lógica é simples: quanto maior o risco metabólico, mais cedo você procura a doença antes que ela apareça na cara dura. A alternativa errada é a que traz um rapaz de 22 anos, com IMC normal, apenas sedentário e com história familiar de DM2 e hipertensão. Em um adulto jovem sem sobrepeso/obesidade, esse conjunto isolado não configura a indicação clássica de rastreio do diabetes tipo 2. Em outras palavras: ter parente com diabetes chama atenção, mas não basta sozinho para transformar todo mundo em candidato automático ao rastreio nessa faixa etária. As demais opções encaixam em cenários de rastreio: idade acima de 35 anos com fatores de risco, uso crônico de antipsicóticos, HIV em TARV e antecedente de diabetes gestacional no puerpério. No caso da gestante com diabetes gestacional, o rastreio no pós-parto é obrigatório na prática clínica, porque o risco de DM2 futuro é bem maior. Se você lembrar da regra-mãe, fica fácil: rastreio para adultos com maior risco cardiometabólico e, hoje, de forma mais ampla a partir dos 35 anos. Para histórico de diabetes gestacional, o seguimento pós-parto também é clássico em prova.