Sobre a febre reumática, é correto afirmar que
- A)a cardite é considerada manifestação grave dessa febre, tendendo a aparecer em fases tardias, com pouco risco de sequelas.
Errada: a cardite é uma manifestação grave e pode deixar sequelas valvares importantes, não sendo tipicamente tardia nem de baixo risco.
- B)na suspeita de febre reumática, a presença de insuficiência mitral ou aórtica ao ecocardiograma, com exame cardiovascular e radiografia de tórax normais, pode indicar cardite subclínica.
Certa: o ecocardiograma pode revelar insuficiência mitral ou aórtica mesmo com exame físico e radiografia normais, caracterizando cardite subclínica.
- C)em casos de cardite reumática, a cirurgia para reparo valvar é mandatória.
Errada: cirurgia valvar não é mandatória em todo caso de cardite reumática; a conduta depende da gravidade e das sequelas.
- D)a alfa 1 glicoproteína ácida não deve ser considerada marcador de fase aguda, haja vista que apresenta títulos pouco elevados no início da doença.
Errada: a alfa-1 glicoproteína ácida pode sim se elevar como marcador de fase aguda, não sendo excluída por supostamente ter baixa elevação inicial.
- E)a evidência de infecção pelo estreptococo beta hemolítico do grupo A não é necessária, na presença de 2 critérios maiores.
Errada: a evidência de infecção estreptocócica recente é importante na maioria dos cenários diagnósticos de febre reumática, e a afirmação generaliza de forma incorreta.
Gabarito: B
A febre reumática é uma complicação inflamatória tardia da infecção por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, clássica em crianças e adolescentes. O diagnóstico segue os critérios de Jones, que combinam critérios maiores e menores, sempre com evidência de infecção estreptocócica recente na maioria dos casos. A ideia central é simples: o corpo reage ao estreptococo, e essa resposta pode atingir articulações, coração, pele e sistema nervoso. Na cardite reumática, a valva mitral é a campeã das lesões, podendo haver também acometimento aórtico. Hoje, o ecocardiograma tem papel muito importante porque consegue detectar lesões valvares mesmo quando o exame físico e a radiografia de tórax ainda estão normais. Isso é o que chamamos de cardite subclínica: o coração mostra alteração no eco, mas o paciente ainda não “entregou” o caso no estetoscópio. Por isso, a alternativa B está correta: na suspeita de febre reumática, a presença de insuficiência mitral ou aórtica ao ecocardiograma, mesmo com exame cardiovascular e radiografia de tórax normais, pode indicar cardite subclínica. Esse entendimento é compatível com os critérios de Jones revisados, que passaram a valorizar o ecocardiograma na detecção de cardite silenciosa. Cuidado para não confundir gravidade com tempo de aparecimento. A cardite pode ser grave e gerar sequelas valvares importantes, além de poder surgir precocemente no curso da doença. Então, quando a banca fala em quadro tardio com pouco risco de sequela, ela está invertendo a lógica clínica.