Paciente masculino, 4 meses, vem à emergência junto ao seu irmão escolar de 6 anos. Ambos apresentam quadro de coriza, tosse há cerca de 3 dias, há 24h ambos apresentam episódio de febre com aferição máxima de 38,5oC. A mãe relata que lactente apresentou entrada na barriga, ao avaliar você evidência tiragme subcostal leve. Em ausculta, há presença de estertores e sibilos difusos, saturação de O2 a 94%. Restante de exame físico sem alterações. Nesse caso, a hipótese diagnóstica mais provável é
- A)agudização de asma.
Errada, porque asma aguda é bem menos provável aos 4 meses e costuma exigir história de episódios recorrentes ou atopia, o que não foi descrito.
- B)pneumonia comunitária.
Errada, porque pneumonia comunitária tende a cursar com febre mais importante e sinais mais localizados no pulmão, e não sibilância difusa em lactente.
- C)bronquiolite viral aguda.
Certa, pois lactente com pródromo viral, sibilos difusos, estertores e tiragem leve tem quadro típico de bronquiolite viral aguda.
- D)tuberculose.
Errada, porque tuberculose não costuma se apresentar de forma tão aguda em poucos dias com esse padrão de sibilância difusa.
- E)meningite viral.
Errada, porque meningite viral não explica o quadro respiratório predominante nem os achados de ausculta pulmonar.
Gabarito: C
Em lactente, quadros de coriza e tosse que evoluem em poucos dias, com febre baixa, sibilos difusos, estertores e desconforto respiratório leve, fazem pensar primeiro em bronquiolite viral aguda. Essa é a causa mais comum de sibilância na primeira infância e costuma aparecer após um pródromo de infecção de vias aéreas superiores, como se o vírus resolvesse descer do nariz para os brônquios e fazer um pequeno caos lá embaixo. O dado de exame físico que mais ajuda é justamente o conjunto: tiragem subcostal leve, sibilância difusa, estertores e saturação ainda preservada ou só discretamente reduzida. Em lactentes, isso aponta muito mais para doença de pequenas vias aéreas do que para asma clássica, que é bem menos provável nessa idade, especialmente sem história prévia de episódios recorrentes. A febre é baixa e o estado geral não parece grave, o que também combina com bronquiolite viral aguda. Pneumonia comunitária costuma dar febre mais alta, toxemia e, em geral, achados mais focais na ausculta, e não esse padrão difuso de sibilos e estertores. Tuberculose e meningite viral simplesmente não casam com a apresentação respiratória aguda descrita. Em provas, lembre da regra prática: lactente pequeno + coriza + tosse + sibilância difusa + tiragem = bronquiolite até prova em contrário. O gabarito C está correto porque reúne o quadro clínico típico, incluindo a faixa etária e o padrão respiratório característico.