Uma mulher de 44 anos procurou atendimento devido a mastalgia à direita, sem relação com o ciclo menstrual. Teve duas gestações há 10 e 7 anos tendo amamentado os filhos por seis meses cada. No momento não faz uso de medicações regularmente e colocou um DIU de cobre há cinco anos. Fez mamografia e ultrassonografia das mamas há três meses que foram normais. Ao exame clínico foram observadas mamas volumosas, simétricas e na palpação notou-se um cordão endurecido superficial na união dos quadrantes internos da mama direita. Diante desses achados, o diagnóstico mais provável e o tratamento mais adequado são:
- A)tumor filoide / exérese cirúrgica com margens livres.
Errada: tumor filoide costuma se apresentar como massa palpável, não como cordão superficial endurecido.
- B)carcinoma inflamatório / mastectomia.
Errada: carcinoma inflamatório dá mama eritematosa, edemaciada e dolorosa, com pele em casca de laranja, não esse achado focal em cordão.
- C)mastite / antibióticos e anti-inflamatórios.
Errada: mastite geralmente cursa com dor, calor, rubor e sinais inflamatórios, o que não foi descrito aqui.
- D)tromboflebite / anticoagulante e antibióticos.
Errada: tromboflebite é o diagnóstico de base, mas antibiótico não é tratamento de rotina, pois não se trata de infecção.
- E)Síndrome de mondor / calor local e uso de anti-inflamatórios.
Certa: a síndrome de Mondor é uma tromboflebite superficial da mama e o tratamento é conservador, com calor local e anti-inflamatórios.
Gabarito: E
A questão descreve a síndrome de Mondor, que é uma tromboflebite superficial da parede torácica, geralmente da mama ou região toracoabdominal. O achado clássico é um cordão endurecido, superficial, doloroso ou desconfortável, que pode parecer uma “veia em corda” na pele da mama. Em geral, é uma condição benigna e autolimitada, então o tratamento costuma ser conservador, com calor local e anti-inflamatórios, sem necessidade de medidas agressivas. O ponto importante aqui é que a paciente já fez mamografia e ultrassonografia recentes e normais, o que ajuda a afastar lesões mamárias suspeitas como tumor ou processo inflamatório mais grave. Além disso, a descrição física é muito típica de acometimento superficial, não de nódulo profundo ou quadro difuso de mastite. O DIU de cobre não explica esse quadro e não muda a conduta. Na prática, você deve pensar em Mondor quando aparecer uma faixa endurecida na mama, especialmente na região anterior do tórax, após esforço, trauma, cirurgia, uso de roupas apertadas ou até sem causa evidente. O tratamento é sintomático e a evolução costuma ser boa. Se houver dúvida diagnóstica, a imagem já ajuda, mas nesta questão o quadro clínico manda no jogo. Resumo de prova: cordão superficial na mama + exames normais + quadro localizado = tromboflebite superficial, com tratamento conservador. É uma daquelas questões em que a banca tenta te empurrar para mastite ou câncer, mas o exame físico entrega o diagnóstico.