Menina de 12 anos, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, foi encaminhada ao seu hospital apresentando leucopenia, tempo de tromboplastina parcial prolongado, sedimento urinário sem dismorfismo eritrocitário, livedo reticular. Assinale a opção que indica o teste de laboratório mais adequado para o diagnóstico desse quadro.
- A)Anticorpo anti-β 2 glicoproteína I.
Correta, porque o anticorpo anti-β2-glicoproteína I é um dos principais marcadores da síndrome antifosfolípide, compatível com LES, TTPa prolongado e livedo reticular.
- B)Anticorpo anti-DNA de fita dupla.
Errada, porque o anti-DNA de fita dupla sugere atividade de lúpus, especialmente nefrite lúpica, e não confirma síndrome antifosfolípide.
- C)Tempo de sangramento.
Errada, porque tempo de sangramento não é o exame indicado para investigar síndrome antifosfolípide e não explica o padrão descrito.
- D)Anticorpo anti-histona.
Errada, porque o anticorpo anti-histona é mais associado ao lúpus induzido por drogas, não ao quadro típico de síndrome antifosfolípide.
- E)Anticorpo antinuclear.
Errada, porque o FAN é exame de rastreio do LES, mas é inespecífico e não define a suspeita de síndrome antifosfolípide.
Gabarito: A
Essa questão mistura lúpus eritematoso sistêmico com uma pista bem clássica de síndrome antifosfolípide: tempo de tromboplastina parcial prolongado, livedo reticular e, muitas vezes, trombose ou perdas gestacionais. No contexto do LES, isso não significa necessariamente sangramento; pelo contrário, o paciente pode ter um estado de hipercoagulabilidade, apesar do TTPa alterado. O sedimento urinário sem dismorfismo eritrocitário também ajuda a afastar uma glomerulonefrite hemática ativa como explicação principal do quadro. Quando a banca descreve LES + TTPa prolongado + livedo, ela quer que você pense em anticorpos antifosfolípides. Entre eles, o anticorpo anti-β2-glicoproteína I é um marcador laboratorial importante para a síndrome antifosfolípide. Ele faz parte da investigação sorológica ao lado do anticoagulante lúpico e do anticardiolipina, e sua presença ajuda a confirmar o diagnóstico em conjunto com critérios clínicos. A ideia central é simples: a paciente tem um quadro compatível com síndrome antifosfolípide secundária ao lúpus, e o teste mais adequado entre as opções é o anti-β2-glicoproteína I. Em prova, sempre desconfie quando o LES vem acompanhado de TTPa prolongado e sinais vasculares cutâneos, porque a banca adora trocar o foco para nefrite lúpica, mas aqui a pista aponta para trombose e autoanticorpos antifosfolípides. Resumo de ouro: TTPa prolongado não é sempre sinônimo de tendência ao sangramento. Em síndrome antifosfolípide, ele pode refletir a presença de anticoagulante lúpico e outros anticorpos antifosfolípides, enquanto o paciente continua trombosando. É o tipo de pegadinha que faz o candidato correr para hemostasia e esquecer a reumatologia.