Paciente comparece ao diagnóstico de seu clínico para investigação de síndrome febril de cerca de três semanas de evolução associada a cansaço e emagrecimento. Admitido em regular estado geral, eupneico, corado e lúcido. PA 100 X 60mmHg, FC 90 bpm, SatO2 98%AA, RCR, SS 3+ foco aórtico e mitral, exame abdominal indica discreta hepatoesplenomegalia. Paciente é internado com suspeita de endocardite infecciosa, confirmada pelo ecocardiograma transesofágico. Nas hemoculturas foram identificados Streptococcus gallolyticus. O exame importante a ser realizado antes da alta hospitalar é a:
- A)tomografia de abdome e pelve com contraste;
A tomografia de abdome e pelve pode ajudar em outras investigações, mas não é o exame de escolha para rastrear a lesão colorretal associada ao Streptococcus gallolyticus.
- B)endoscopia digestiva alta;
A endoscopia digestiva alta não investiga o cólon, que é justamente o sítio mais relacionado a essa associação infecciosa.
- C)colonoscopia;
Correta, porque Streptococcus gallolyticus tem forte associação com lesões neoplásicas do cólon, e a colonoscopia é o exame indicado para essa investigação.
- D)ressonância nuclear magnética de crânio;
A ressonância de crânio não tem relação com a investigação etiológica dessa endocardite e não responde à principal suspeita associada ao germe.
- E)colangiorressonância.
A colangiorressonância avalia vias biliares, mas aqui o foco é a pesquisa de neoplasia colorretal associada ao agente encontrado na hemocultura.
Gabarito: C
Quando o hemocultivo mostra Streptococcus gallolyticus, acende uma luz amarela importante: esse microrganismo tem associação clássica com neoplasia colorretal, especialmente adenomas e câncer de cólon. Por isso, depois de confirmar e tratar a endocardite, o paciente precisa investigar o intestino grosso, mesmo que não tenha queixa abdominal importante. A ideia é não ficar só no antibiótico e perder uma possível causa de base que pode estar “alimentando” a bacteremia. Na prática, a colonoscopia é o exame de escolha porque avalia toda a mucosa do cólon e ainda permite biopsiar ou retirar lesões suspeitas. Em provas, essa associação Streptococcus gallolyticus - endocardite - lesão colorretal aparece com frequência e costuma ser cobrada como conduta obrigatória antes da alta ou logo após estabilização clínica. Um jeito fácil de lembrar: quando esse estreptococo aparece, o cólon entra no radar. Não é um detalhe opcional nem um capricho da banca, mas uma busca ativa por fonte de bacteremia e por neoplasia associada. Em termos doutrinários, a correlação entre S. gallolyticus e doença colorretal é bem estabelecida na literatura e é cobrada como indicação formal de colonoscopia. Então, o gabarito é a colonoscopia porque ela investiga a principal associação patológica desse germe com neoplasia de intestino grosso, ajudando a identificar a origem e a conduta futura do paciente.