Paciente de 86 anos, portadora de hipertensão arterial de difícil controle, incontinência urinária de urgência em uso de fralda geriátrica, obesidade, diabetes mellitus tipo II, sem resposta adequada ao uso de metformina oral. Para esse caso, os inibidores da enzima SGLT-2 (sodium-glucose cotransporter 2), como a dapaglifosina ou empaglifosina, se indicados, devem ser usados com cautela porque
- A)levam à glicosúria, contribuindo para infecções urinárias e genitais.
Certa: esses fármacos causam glicosúria, o que pode favorecer infecções urinárias e genitais, especialmente em idosos com incontinência e fralda.
- B)apresentam alto risco de hipoglicemia, pois impedem a reabsorção de glicose nos túbulos renais.
Errada: o risco de hipoglicemia isolada é baixo, porque a ação depende da excreção de glicose e não estimula diretamente a liberação de insulina.
- C)levam ao aumento da pressão arterial, sendo necessário o ajuste de medicamentos anti-hipertensivos.
Errada: em geral, esses medicamentos tendem a reduzir discretamente a pressão arterial por efeito diurético/osmótico, não a aumentá-la.
- D)não foram ainda aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA para uso recorrente no Brasil.
Errada: esses medicamentos são aprovados e amplamente utilizados no Brasil, inclusive com indicações cardiovasculares e renais em vários cenários.
- E)podem promover o aumento do peso e contribuir para síndrome metabólica.
Errada: a tendência é de perda de peso ou neutralidade ponderal, não ganho de peso.
Gabarito: A
Os inibidores de SGLT-2, como dapaglifosina e empaglifosina, agem no rim reduzindo a reabsorção de glicose no túbulo proximal. Com isso, a glicose vai para a urina, o que ajuda a baixar a glicemia e ainda traz benefícios cardiovasculares e renais em muitos pacientes com diabetes tipo 2. Mas toda moeda tem seu lado prático: mais glicose na urina significa um ambiente mais favorável para infecções urinárias e genitais, especialmente em pessoas mais idosas, com uso de fralda, incontinência urinária e higiene mais difícil. Nesse cenário, o risco de complicações locais aumenta, então o uso deve ser feito com cautela e acompanhamento próximo. Por isso o gabarito é a letra A. O remédio não é “proibido” nem costuma causar hipoglicemia sozinho com tanta facilidade; o problema aqui é o efeito esperado da glicosúria, que pode favorecer infecções. Em geriatria, isso pesa ainda mais porque pequenas intercorrências podem descompensar bastante o paciente. Na prática, a banca quer que você associe SGLT-2 com glicosúria e, daí, com maior chance de infecções urinárias e genitais. Em idosos frágeis, sempre vale pensar no contexto clínico antes de sair prescrevendo como se fosse bala de goma.