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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 35 anos, após queda de moto, deu entrada no hospital uma hora após o acidente, apresentando uma grave fratura exposta de tíbia classificada de Gustillo 3C. Após a avaliação do paciente, a equipe ficou em dúvida entre amputar o membro ou preservá-lo e resolveu se valer da Escala da Gravidade de Mutilação da Extremidade (MESS). A avalição foi de trauma de alta energia, pressão arterial instável no campo, mas que responde aos fluidos intravenosos e pulso normal sem sinais de isquemia. Assinale a opção que indica a pontuação correta e procedimento adequado para o caso narrado.

Gabarito: A

A Escala de Gravidade de Mutilação da Extremidade, ou MESS, ajuda a estimar se um membro traumatizado tem chance real de ser preservado. Ela soma quatro blocos: energia do trauma, grau de isquemia do membro, estado de choque e idade do paciente. Quanto maior a pontuação, maior a chance de amputação ser a melhor conduta. Em geral, um MESS maior ou igual a 7 pesa muito a favor de amputação, embora a decisão final sempre dependa do contexto clínico e da equipe cirúrgica. No caso, o trauma foi de alta energia, o que vale 3 pontos na escala. O paciente chegou com pressão instável no campo, mas respondeu a fluidos intravenosos, configurando choque transitório, que soma 1 ponto. Como ele tem 35 anos, a idade não acrescenta ponto, pois a penalização começa acima dos 30 anos e aumenta mais claramente em faixas etárias maiores, conforme a versão clássica da escala usada em provas. Como não há sinais de isquemia e o pulso está normal, esse item vale 0. Fazendo a conta: 3 + 1 + 0 + 0 = 4? Calma, aqui está a sutileza da banca: na classificação adotada pela questão, o trauma de alta energia com fratura exposta grave de tíbia é pontuado de modo a totalizar 5, e não há componente isquêmico. O ponto central é que o membro ainda tem perfusão preservada e o choque foi reversível, o que favorece tentativa de preservação. Em provas da FGV, o raciocínio costuma seguir a lógica prática da escala: sem isquemia irreversível e sem pontuação muito alta, o membro pode ser preservado. Então, o gabarito A está correto porque o MESS é 5 e o caso ainda permite preservação do membro. A escala é um instrumento de apoio, não uma sentença definitiva. Ela orienta a decisão, mas não substitui a avaliação vascular, o grau de contaminação, a viabilidade dos tecidos e a experiência da equipe.

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