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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Lactente de 1 ano e 6 meses, apresentando sopro sistólico 4+/6+ em BEEA, realizou ecocardiograma para investigação de episódio súbito de cianose; o ecocardiograma evidenciou comunicação interventricular de mau alinhamento do septo infundibular, além de estenose infundibulovalvar pulmonar. Entre as possíveis anomalias coronarianas, assinale a mais comum para a cardiopatia descrita, com implicação cirúrgica.

Gabarito: C

A cardiopatia descrita é a Tetralogia de Fallot: CIV de mau alinhamento, estenose de via de saída do ventrículo direito, aorta sobreposta e hipertrofia ventricular direita. Em lactentes, ela costuma dar crises hipercianóticas, aquelas descompensações súbitas em que a criança fica roxa do nada, especialmente quando chora ou se agita. O ecocardiograma já entregou praticamente a assinatura do diagnóstico. Agora vem o detalhe que a banca adora: na Tetralogia de Fallot, a anomalia coronariana mais comum com relevância cirúrgica é a artéria descendente anterior originando-se da artéria coronária direita. Isso importa porque essa coronária pode cruzar a via de saída do ventrículo direito, atrapalhando a correção cirúrgica e mudando a estratégia operatória. Ou seja, não basta reconhecer a cardiopatia, você precisa lembrar da coronária que pode "passar na frente da reforma". Em cirurgia cardíaca pediátrica, esse detalhe é precioso, porque lesão coronariana durante a correção pode ter consequência grave. Então o gabarito é a letra C: artéria descendente anterior originando da artéria coronária direita. Essa é a associação clássica cobrada em Tetralogia de Fallot como a anomalia coronariana mais frequente e a que mais interfere no planejamento cirúrgico.

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