Lactente de 1 ano e 6 meses, apresentando sopro sistólico 4+/6+ em BEEA, realizou ecocardiograma para investigação de episódio súbito de cianose; o ecocardiograma evidenciou comunicação interventricular de mau alinhamento do septo infundibular, além de estenose infundibulovalvar pulmonar. Entre as possíveis anomalias coronarianas, assinale a mais comum para a cardiopatia descrita, com implicação cirúrgica.
- A)artéria coronária esquerda originando do tronco pulmonar.
Errada: a origem da coronária esquerda do tronco pulmonar é a anomalia de ALCAPA, não a mais comum na Tetralogia de Fallot.
- B)artéria circunflexa originando da artéria coronária direita.
Errada: a circunflexa originando-se da coronária direita pode ocorrer em algumas variações anatômicas, mas não é a anomalia clássica mais frequente com implicação cirúrgica na Tetralogia de Fallot.
- C)artéria descendente anterior originando da artéria coronária direita.
Certa: a descendente anterior originando-se da coronária direita é a anomalia coronariana mais comum na Tetralogia de Fallot e pode cruzar a via de saída do ventrículo direito.
- D)óstio único de seio coronariano direito.
Errada: óstio único de seio coronariano direito não é a associação clássica mais comum nessa cardiopatia e não é a resposta esperada pela banca.
- E)artéria coronária direita originando do tronco pulmonar.
Errada: a coronária direita originando-se do tronco pulmonar é uma anomalia rara e não corresponde à associação típica da Tetralogia de Fallot.
Gabarito: C
A cardiopatia descrita é a Tetralogia de Fallot: CIV de mau alinhamento, estenose de via de saída do ventrículo direito, aorta sobreposta e hipertrofia ventricular direita. Em lactentes, ela costuma dar crises hipercianóticas, aquelas descompensações súbitas em que a criança fica roxa do nada, especialmente quando chora ou se agita. O ecocardiograma já entregou praticamente a assinatura do diagnóstico. Agora vem o detalhe que a banca adora: na Tetralogia de Fallot, a anomalia coronariana mais comum com relevância cirúrgica é a artéria descendente anterior originando-se da artéria coronária direita. Isso importa porque essa coronária pode cruzar a via de saída do ventrículo direito, atrapalhando a correção cirúrgica e mudando a estratégia operatória. Ou seja, não basta reconhecer a cardiopatia, você precisa lembrar da coronária que pode "passar na frente da reforma". Em cirurgia cardíaca pediátrica, esse detalhe é precioso, porque lesão coronariana durante a correção pode ter consequência grave. Então o gabarito é a letra C: artéria descendente anterior originando da artéria coronária direita. Essa é a associação clássica cobrada em Tetralogia de Fallot como a anomalia coronariana mais frequente e a que mais interfere no planejamento cirúrgico.