Paciente de 42 anos, sexo feminino, dá entrada na emergência com dor e edema no membro inferior esquerdo, de início há cerca de dois dias. Gesta 2 Para 2, nega alergias, nega viagens longas recentes. Ao exame físico, observa-se preservação da temperatura, pulsos femorais e poplíteos presentes, pulsos podálicos de difícil palpação. Solicitado Eco Color Doppler (Duplex Scan) Venoso Profundo dos membros inferiores, é diagnosticada trombose fêmoro-poplítea esquerda. A principal hipótese diagnóstica e o melhor exame a ser solicitado são, respectivamente,
- A)Síndrome do Ligamento Arqueado e ressonância magnética.
Errada, porque a síndrome do ligamento arqueado causa compressão da artéria celíaca, não explica trombose venosa femoropoplítea e a ressonância não é o melhor exame para esse quadro.
- B)Síndrome Antifosfolipídica e coagulograma.
Errada, porque a síndrome antifosfolipídica é causa trombofílica importante, mas o coagulograma não faz esse diagnóstico e a questão sugere uma causa anatômica localizada.
- C)Síndrome Nutcracker e angiotomografia.
Errada, porque a síndrome de Nutcracker comprime a veia renal esquerda, gerando quadro renal ou pélvico, e não trombose femoropoplítea como principal apresentação.
- D)Síndrome de May-Thurner e angiotomografia.
Certa, porque a síndrome de May-Thurner é a compressão da veia ilíaca comum esquerda e a angiotomografia ajuda a demonstrar a obstrução/compressão venosa.
- E)Insuficiência Venosa Crônica e fotopletismografia.
Errada, porque insuficiência venosa crônica não explica uma trombose aguda fêmoro-poplítea, e a fotopletismografia é exame funcional para refluxo venoso, não para essa hipótese.
Gabarito: D
Quando uma mulher jovem apresenta trombose venosa profunda no membro inferior esquerdo, especialmente sem gatilhos muito óbvios como viagem longa, cirurgia recente ou câncer, vale pensar em causa anatômica. A mais clássica é a síndrome de May-Thurner, em que a artéria ilíaca comum direita comprime a veia ilíaca comum esquerda contra a coluna, favorecendo estase e trombose do lado esquerdo. É o tipo de detalhe que transforma uma DVT aparentemente comum em uma pista de anatomia vascular escondida no enunciado. O quadro costuma aparecer como trombose fêmoro-ilíaca esquerda, com dor, edema e sinais de insuficiência de retorno venoso, enquanto os pulsos arteriais podem estar preservados, porque o problema é venoso. O Doppler venoso profundo confirma a trombose, mas nem sempre mostra bem a causa compressiva pélvica. Por isso, quando a questão quer a principal hipótese etiológica e o melhor exame complementar para estudar a compressão, a angiotomografia é a escolha mais adequada entre as alternativas. A síndrome de May-Thurner é um exemplo clássico de trombose provocada por compressão extrínseca de veia ilíaca, muito lembrada em provas. Na prática, a investigação pode incluir angioTC, angio-RM ou venografia, mas a angiotomografia é uma resposta muito cobrada por ser rápida e mostrar bem a anatomia pélvica. O raciocínio é: DVT à esquerda em mulher jovem, sem explicação forte, pense em compressão ilíaca esquerda. Então, o gabarito D está correto porque aponta a síndrome de May-Thurner como hipótese principal e a angiotomografia como exame para confirmar a compressão venosa pélvica. Em linguagem de prova, foi o clássico "trombose sem culpa aparente, mas com culpado anatômico".