Paciente masculino, 33 anos, com diagnóstico de HIV em tratamento irregular, procura atendimento com relato de febre e dor ao engolir. Ao exame: apresenta-se lúcido, orientado no tempo e no espaço, emagrecido, febril, anictérico, acianótico, sem esforço respiratório. Orofaringe com candidíase oral. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. O resultado da Endoscopia Digestiva Alta evidenciou candidíase esofágica. Diante esse quadro, o paciente deve iniciar profilaxia de
- A)Citomegalovírus.
Errada, porque citomegalovírus não é a profilaxia clássica desencadeada por candidíase esofágica em HIV.
- B)Herpes simplex.
Errada, porque herpes simplex não é o alvo da profilaxia indicada nesse cenário clínico.
- C)Toxoplasma gondii.
Errada, porque toxoplasmose exige outra lógica de risco, geralmente ligada a CD4 muito baixo e sorologia positiva, não a candidíase esofágica em si.
- D)Cryptococcus SP.
Errada, porque criptococose não é a profilaxia de rotina apontada por esse achado endoscópico.
- E)Pneumocystis jirovecci.
Certa, porque candidíase esofágica sugere imunossupressão avançada e indica profilaxia para Pneumocystis jirovecii, geralmente com trimetoprim-sulfametoxazol.
Gabarito: E
Em paciente com HIV, a candidíase esofágica é um marcador de imunossupressão avançada e já entra no pacote das doenças oportunistas de AIDS. Na prática, quando aparece candidíase oral associada a disfagia/odinofagia e a endoscopia confirma acometimento do esôfago, você deve pensar que o sistema imune já está bem debilitado, mesmo antes de ver o CD4 no papel. Nessa situação, a profilaxia indicada é contra Pneumocystis jirovecii, porque esse fungo oportunista cresce com mais facilidade quando o CD4 cai abaixo de 200 células/mm³ ou quando o paciente já apresenta condição definidora de AIDS. O esquema clássico é trimetoprim-sulfametoxazol, que é o velho conhecido das provas e também da vida real. As bancas gostam de misturar profilaxias de diferentes agentes oportunistas para ver se você associa a infecção presente com a prevenção correta. Só que aqui a pista é a imunossupressão avançada: candidíase esofágica não pede profilaxia para Candida, mas acende o alerta para Pneumocystis. Resumo de prova: HIV mal controlado + candidíase esofágica = pensar em profilaxia para Pneumocystis jirovecii. Isso é totalmente alinhado com as diretrizes usuais de manejo do HIV, que indicam profilaxia primária para PCP em CD4 < 200 ou em quadro definidor de AIDS.