Mulher de 32 anos, nuligesta, refere aumento do fluxo menstrual nos últimos meses, com saída de coágulos. Foi solicitada histeroscopia que identificou mioma submucoso de 2cm, com penetração para o miométrio < 50%, localizado em 1/3 médio de parede anterior da cavidade uterina. Nesse caso, a conduta é
- A)análogos de GnRH.
Errada, porque análogos de GnRH podem reduzir temporariamente o volume e o sangramento, mas não são a conduta definitiva para mioma submucoso sintomático acessível por histeroscopia.
- B)sistema intrauterino com liberação de Levonorgestrel.
Errada, porque o DIU com levonorgestrel ajuda no controle do sangramento, mas não trata a causa estrutural quando o mioma está ocupando a cavidade uterina.
- C)miomectomia laparoscópica.
Errada, porque a via laparoscópica é mais indicada para miomas intramurais ou subserosos, e não para mioma submucoso pequeno com componente intracavitário.
- D)miomectomia histeroscópica.
Certa, porque mioma submucoso de 2 cm com menos de 50% de penetração no miométrio é clássico para ressecção por histeroscopia.
- E)embolização das artérias uterinas.
Errada, porque a embolização é alternativa para casos selecionados, mas não é a primeira escolha quando o mioma é submucoso, pequeno e ressecável por via histeroscópica.
Gabarito: D
O caso descreve um mioma submucoso pequeno, com 2 cm, ocupando a cavidade e com menos de 50% de componente intramural. Esse é o tipo de mioma que mais se relaciona com sangramento uterino anormal, porque fica “encostado” na cavidade e atrapalha o endométrio de forma bem direta. Em ginecologia, quando o mioma é submucoso e tem pouca penetração no miométrio, a melhor abordagem costuma ser a retirada por via histeroscópica, que entra pela cavidade uterina sem necessidade de corte abdominal. A lógica aqui é anatômica e prática: mioma submucoso pequeno e acessível por histeroscopia costuma ser tratado por ressecção histeroscópica, especialmente quando há sintoma, como menorragia com coágulos. Como a lesão está localizada na cavidade e o componente intramural é menor que 50%, ela é compatível com o tipo 1 de classificação FIGO para miomas submucosos, cenário clássico de histeroscopia terapêutica. As outras opções ficam menos adequadas porque análogos de GnRH e DIU com levonorgestrel podem até melhorar sintomas em alguns contextos, mas não removem o problema estrutural quando há mioma submucoso sintomático. Miomectomia laparoscópica é mais usada para miomas intramurais ou subserosos, não para os que estão dentro da cavidade. Embolização das artérias uterinas é uma alternativa para casos selecionados, geralmente em úteros com miomas múltiplos ou quando se quer evitar cirurgia, mas não é a primeira escolha para esse perfil de lesão intracavitária pequena. Então, a conduta correta é a miomectomia histeroscópica: é a solução mais direta, menos invasiva e mais adequada para controlar o sangramento e preservar o útero. Em prova, pense assim: mioma submucoso pequeno, sintomático e acessível pela cavidade = histeroscopia.