Lactente de 8 meses, sexo feminino, com história de episódios de sibilância persistente desde 1 mês de idade com pobre resposta a medicação inalatória para a asma. A mãe relatava episódios de distúrbio de deglutição, disfagia e cianose às mamadas. Sem história de prematuridade e pneumonias de repetição. Encontrava-se desnutrido, com taquipneia, dispneia, sibilância e ausência de sopro cardíaco. Foi realizada broncoscopia que evidenciou compressão pulsátil no terço inferior da traqueia. Assinale a opção que indica o diagnóstico provável para o caso clínico descrito.
- A)Anel vascular.
Correta: anéis vasculares comprimem traqueia e esôfago, causando sibilância persistente, disfagia e compressão pulsátil na broncoscopia.
- B)Cardiopatia Congênita.
Errada: cardiopatias podem causar desconforto respiratório e dificuldade alimentar, mas não explicam bem a compressão pulsátil traqueal vista no exame.
- C)Discinesia Ciliar primária.
Errada: discinesia ciliar primária costuma dar infecções respiratórias de repetição, rinossinusite e otite, não compressão extrínseca de traqueia.
- D)Displasia Broncopulmonar.
Errada: displasia broncopulmonar ocorre sobretudo em prematuros com história de ventilação e oxigenoterapia, o que não é o caso.
- E)Doença do Refluxo Gastroesofágico.
Errada: DRGE pode piorar tosse e sibilância por aspiração, mas não produz compressão pulsátil do terço inferior da traqueia.
Gabarito: A
Em lactente com sibilância de início muito precoce, pouca resposta ao tratamento para asma e sintomas associados a mamadas, vale acender o alerta para causa estrutural de compressão de vias aéreas. Nem toda chiadeira em bebê é asma: quando o quadro começa nos primeiros meses de vida e vem com disfagia, cianose às mamadas e dificuldade para ganhar peso, pense em obstrução extrínseca da traqueia ou esôfago. Os anéis vasculares são malformações congênitas dos grandes vasos que “abraçam” traqueia e esôfago, podendo causar compressão pulsátil. Isso explica a broncoscopia com compressão no terço inferior da traqueia e os sintomas respiratórios e alimentares ao mesmo tempo. A sibilância costuma ser persistente, com resposta ruim aos broncodilatadores, porque o problema não é inflamação brônquica, e sim aperto mecânico. O quadro clássico pode lembrar asma, refluxo ou até bronquiolite de repetição, mas a pista mais forte aqui é a combinação de sintomas respiratórios e de deglutição desde cedo, sem história de prematuridade e sem pneumonias repetidas. Em pediatria, quando o bebê “chia” e também engasga, a anatomia muitas vezes está pedindo socorro. Por isso, o diagnóstico provável é anel vascular. A broncoscopia mostrando compressão pulsátil praticamente aponta para essa hipótese, que depois costuma ser confirmada com angiotomografia ou ressonância de vasos do mediastino.