Uma criança foi atendida na emergência de um hospital geral após sofrer traumatismo cranioencefálico e, durante a sua admissão, evoluiu para coma. O médico que a atendia foi alertado a não realizar a manobra dos olhos da boneca enquanto não fosse descartada lesão
- A)occipital.
Errada, porque lesão occipital não contraindica a manobra dos olhos da boneca.
- B)torácica.
Errada, pois lesão torácica não interfere diretamente na realização desse teste neurológico.
- C)frontal.
Errada, já que lesão frontal não é a principal contraindicação para o reflexo óculo-cefálico.
- D)cervical.
Certa, porque a manobra movimenta a cabeça e pode agravar uma possível lesão da coluna cervical.
- E)diencefálica.
Errada, pois lesão diencefálica não é a contraindicação clássica para essa manobra.
Gabarito: D
A manobra dos olhos da boneca, também chamada de reflexo óculo-cefálico, serve para avaliar a integridade do tronco encefálico em paciente em coma. Quando você gira a cabeça do paciente, os olhos devem mover-se no sentido oposto ao movimento, desde que os reflexos do tronco estejam preservados. É um teste clássico da semiologia neurológica, muito usado na avaliação do coma, inclusive em protocolos de morte encefálica, mas sempre com cuidado na segurança cervical. O ponto central da questão é simples: antes de fazer essa manobra, você precisa descartar lesão de coluna cervical. Se houver fratura, instabilidade ou trauma cervical, o movimento passivo do pescoço pode piorar a lesão medular. Em criança vítima de traumatismo cranioencefálico, essa cautela é ainda mais importante, porque a associação de trauma de crânio com lesão cervical não é rara. Por isso o gabarito é a alternativa D. A manobra só deve ser realizada quando a coluna cervical estiver clinicamente e, se necessário, radiologicamente avaliada. Em provas, a banca gosta de testar exatamente esse raciocínio: exame neurológico importante, mas com contraindicação mecânica óbvia. Primeiro não machucar o paciente, depois interpretar o reflexo. Em resumo: olhos da boneca ajudam a localizar disfunção no tronco encefálico, mas o pescoço vem antes da curiosidade neurológica. Se houver suspeita de lesão cervical, a manobra deve ser evitada.