Paciente 40 anos, sexo feminino, previamente hígida, admitida com dor abdominal em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa difusa. Realizou TC de abdome que evidenciou apendicite com pneumoperitôneo e abscesso de 2 cm. Está estável hemodinamicamente. A melhor opção de tratamento para o caso é
- A)antibioticoterapia IV e apendicectomia imediata.
Correta, porque há pneumoperitôneo sugerindo perfuração, e a conduta é antibioticoterapia IV associada à apendicectomia imediata para controle da fonte.
- B)antibioticoterapia IV e drenagem do abscesso por TC.
Errada, porque drenagem percutânea isolada costuma ser opção em abscesso bem delimitado sem sinais de perfuração livre, o que não é o caso aqui.
- C)antibioticoterapia IV e apendicectomia após 7 dias.
Errada, porque postergar a cirurgia por 7 dias não é a melhor conduta diante de pneumoperitôneo, que indica complicação e necessidade de abordagem imediata.
- D)antibioticoterapia IV, drenagem do abscesso por TC e apendicectomia após 7 dias.
Errada, porque combina drenagem e adiamento cirúrgico, estratégia mais compatível com abscesso contido, não com perfuração com ar livre na cavidade.
- E)antibioticoterapia IV e apendicectomia após 6 semanas.
Errada, porque a apendicectomia tardia em 6 semanas é conduta de apendicite plastronada/abscesso tratado clinicamente, sem pneumoperitôneo.
Gabarito: A
Apendicite complicada não é caso para “deixar para depois” quando há pneumoperitôneo, porque isso sugere perfuração e risco de peritonite. Em paciente estável, a conduta depende do quadro: abscesso pequeno pode até ser tratado de forma conservadora em alguns cenários, mas a presença de ar livre na cavidade aponta para lesão perfurada e necessidade de abordagem cirúrgica. Em outras palavras: o abdome está dizendo que o apêndice já saiu do script e precisou de intervenção mais firme. Nesta questão, a TC mostrou apendicite com pneumoperitôneo e abscesso de 2 cm. Como a paciente está hemodinamicamente estável, ainda cabe intervenção cirúrgica com cobertura antibiótica intravenosa, sem necessidade de esperar “resolver sozinho” ou programar cirurgia tardia. A ideia é controlar a fonte da infecção e tratar a contaminação peritoneal. Por isso o gabarito é a letra A: antibioticoterapia IV e apendicectomia imediata. Em apendicite perfurada/complicada, a cirurgia precoce é o tratamento que remove o foco infeccioso. O antibiótico entra como coadjuvante obrigatório, mas não substitui a retirada da fonte quando há pneumoperitôneo. Resumo de prova: abscesso pequeno isolado pode sugerir manejo conservador em alguns casos, mas pneumoperitôneo muda o jogo e favorece abordagem cirúrgica imediata. A banca gosta justamente dessa virada de chave: abscesso não significa automaticamente drenagem percutânea ou espera.