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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Em pacientes com trombose venosa profunda e/ou embolia pulmonar, o risco de recorrência é fundamental para definir o tempo de anticoagulação. Considerando um evento tromboembólico inicial, assinale a opção que indica a condição subjacente, presente no momento do diagnóstico, associada ao maior risco de recorrência do tromboembolismo venoso.

Gabarito: E

Quando você pensa em trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (TEP), a pergunta-chave para decidir o tempo de anticoagulação é: o evento foi provocado por um fator transitório ou por uma condição persistente? Se a causa foi passageira, o risco de recorrência costuma ser menor; se o fator continua presente, o paciente segue em terreno mais perigoso e a tendência é precisar de anticoagulação por mais tempo. Os eventos provocados por fatores transitórios, como cirurgia recente, imobilização curta ou viagem prolongada, aumentam o risco no momento agudo, mas depois o cenário melhora. Já doenças crônicas ativas, especialmente neoplasias, mantêm um estado pró-trombótico contínuo, com inflamação, compressão vascular, imobilidade e, muitas vezes, uso de quimioterapia. É por isso que a recorrência sobe bastante quando a doença de base não “desliga”. No caso da alternativa E, a neoplasia de pulmão com metástase óssea é um exemplo clássico de câncer ativo e avançado, associado a alto risco de recorrência de tromboembolismo venoso. Em termos práticos, isso costuma levar a anticoagulação prolongada, desde que não haja contraindicação. A ideia é simples: tromboembolismo em paciente com câncer ativo não é um episódio para tratar como se fosse uma situação passageira e resolvida. As diretrizes de prática clínica, como as recomendações da CHEST e da ASH, tratam o câncer ativo como um fator de risco persistente para TEV recorrente. Em provas, a lógica costuma ser esta: quanto mais “crônica e ativa” a causa de base, maior o risco de voltar a trombosar.

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