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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Mulher de 67 anos, ex-tabagista, 21 maços-ano que interrompeu o tabagismo há 7 anos, é internada por dispneia aguda e diagnosticada com tromboembolismo pulmonar (TEP). Durante a investigação diagnóstica com tomografias, foi encontrada massa no lobo superior direito de 4cm, com linfonodomegalias hilares de até 3cm e lesões ósseas, hepáticas e no pulmão contralateral compatíveis com lesões secundárias. A biópsia da lesão pulmonar guiada por tomografia revelou adenocarcinoma TTF-1 positivo, napsina A positiva e p63 negativo com ressonância nuclear magnética de crânio sem anormalidades e ECOG 1. Após o tratamento do TEP com anticoagulação e compensação clínica, assinale a sequência de abordagem diagnóstica / terapêutica menos adequada para esse paciente.

Gabarito: D

Nesta paciente, o quadro é de câncer de pulmão não pequenas células do tipo adenocarcinoma, já metastático, com bom estado funcional (ECOG 1). Nessa situação, a primeira grande pergunta não é "qual imunoterapia começa mais rápido?", e sim "há mutação acionável?". Em adenocarcinoma metastático, especialmente em ex-tabagista, a pesquisa molecular do tumor deve ser feita antes de escolher a primeira linha, porque alterações como EGFR, ALK, ROS1, BRAF, MET, RET e NTRK mudam completamente o tratamento. O raciocínio é simples: se aparecer uma mutação acionável, o melhor tratamento costuma ser alvo-dirigido, mesmo que o PDL-1 esteja alto. Isso evita um erro clássico de concurso e de prática: olhar só para o PDL-1 e esquecer que, em tumores com driver oncogênico, a imunoterapia isolada costuma ter resposta pior e não deve atropelar a terapia-alvo. Por isso, a alternativa D está errada. Ela diz que, se o PDL-1 for maior ou igual a 50%, não precisa nem esperar a pesquisa de mutações acionáveis e já se pode iniciar pembrolizumabe sozinho. Na verdade, em adenocarcinoma metastático, o ideal é aguardar o painel molecular antes de iniciar o tratamento sistêmico, porque o resultado pode redefinir a conduta para uma droga-alvo. Se não houver mutação acionável, aí sim entram as estratégias baseadas em imunoterapia, como pembrolizumabe isolado quando o PDL-1 é alto, ou a combinação com quimioterapia em cenários apropriados. Em resumo: primeiro o mapa molecular, depois a escolha da arma. Não dá para sair atirando com pembrolizumabe antes de saber se há um alvo melhor.

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