Em relação à revascularização de pacientes com síndrome coronariana crônica, analise as afirmativas a seguir. I. Em diabéticos com doença coronariana obstrutiva multivascular acometendo a artéria descendente anterior, que são candidatos à revascularização, a cirurgia é o procedimento de escolha quando o objetivo for a redução de eventos clínicos cardiovasculares. II. Baseado nas evidências mais atuais de ensaios clínicos randomizados, o tratamento clínico deve ser a estratégia terapêutica inicial na maioria dos pacientes com síndrome coronariana crônica, exceto nos casos de sintomas refratários, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, e/ou lesão significativa de tronco da coronária esquerda. III. A revascularização percutânea é uma opção terapêutica inicial para pacientes que não desejam tomar medicamentos ou aderir a mudanças de estilo de vida para tratar a doença coronariana subjacente. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Esta alternativa afirma que as três afirmativas estão corretas. De fato, a I está correta ao apontar a cirurgia de revascularização como preferência em diabéticos com doença multivascular e acometimento da ADA quando o objetivo é reduzir eventos, o que é coerente com evidências como o estudo FREEDOM e recomendações de diretrizes. A II também está correta ao dizer que, na maioria dos pacientes com síndrome coronariana crônica, a estratégia inicial é o tratamento clínico, reservando revascularização para sintomas refratários, lesão de tronco e situações com benefício prognóstico definido. A falha está na III, porque revascularização percutânea não é alternativa para quem não quer tomar remédios ou mudar estilo de vida, já que a terapia medicamentosa e as medidas de prevenção continuam obrigatórias no manejo da doença coronariana.
- B)II e III, apenas.
Aqui se sustenta que apenas a II e a III estariam certas. A II realmente reflete a conduta atual na síndrome coronariana crônica, em que o tratamento clínico costuma ser a primeira estratégia, com exceções para quadros de maior risco ou benefício prognóstico. Porém a III erra ao sugerir que a angioplastia possa substituir a adesão a medicamentos e mudanças de estilo de vida, porque a revascularização trata a lesão, mas não elimina a necessidade de prevenção secundária. Além disso, a I também está correta ao preferir cirurgia em diabéticos com doença multivascular e acometimento da ADA quando se busca reduzir eventos cardiovasculares.
- C)I e III, apenas.
Esta alternativa considera corretas a I e a III. A I, de fato, está bem formulada ao indicar CABG como opção preferencial em diabéticos com doença multivascular e envolvimento da artéria descendente anterior, sobretudo quando o foco é desfecho clínico e não apenas alívio de sintomas. Já a III está errada, porque a revascularização percutânea não deve ser proposta como atalho para pacientes que não querem aderir a remédios ou a mudanças de hábitos, uma vez que ela não substitui tratamento clínico e prevenção secundária. A II também é verdadeira e reforça que o manejo inicial costuma ser clínico na maioria dos casos.
- D)I e II, apenas.
Esta é a alternativa correta, porque reúne as duas afirmativas verdadeiras e exclui a falsa. A I está de acordo com a evidência de que, em diabéticos com doença coronariana obstrutiva multivascular com acometimento da ADA, a cirurgia tende a oferecer melhor proteção contra eventos cardiovasculares do que a intervenção percutânea. A II também corresponde ao consenso atual: na maioria dos pacientes com síndrome coronariana crônica, começa-se com tratamento clínico, deixando revascularização para sintomas refratários, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo e lesão significativa de tronco de coronária esquerda. A III é incorreta porque angioplastia não é solução para recusa de medicamentos ou de mudança de estilo de vida, já que o controle da doença coronariana exige terapia medicamentosa e prevenção secundária.
- E)II, apenas.
Esta alternativa afirma que somente a II estaria correta. A II realmente está correta ao descrever o tratamento clínico como estratégia inicial na maior parte dos pacientes com síndrome coronariana crônica, com exceções de maior risco ou benefício prognóstico. O problema é que a I também é verdadeira, pois em diabéticos com doença multivascular e acometimento da ADA a cirurgia é geralmente preferida para reduzir eventos cardiovasculares. Assim, a alternativa exclui indevidamente uma afirmativa correta e não pode ser aceita.
Gabarito: D
Na síndrome coronariana crônica, a ideia central hoje é simples: antes de pensar em "abrir a artéria", o foco inicial costuma ser tratamento clínico otimizado, com controle de sintomas e redução de risco cardiovascular. Isso inclui antiagregantes, estatina, controle pressórico, diabetes, cessação do tabagismo, exercício e outros ajustes de estilo de vida. A revascularização entra quando há indicação bem definida, especialmente para alívio de sintomas ou em cenários de maior risco anatômico ou funcional. A afirmativa II está correta porque as evidências mais atuais mostram que, na maioria dos pacientes com síndrome coronariana crônica, o tratamento clínico deve ser a estratégia inicial. As exceções clássicas são sintomas refratários, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo e lesão significativa de tronco da coronária esquerda, situações em que a revascularização ganha mais peso. A afirmativa I também está correta. Em pacientes diabéticos com doença coronariana obstrutiva multivascular envolvendo a artéria descendente anterior, quando a meta é reduzir eventos cardiovasculares, a cirurgia de revascularização miocárdica costuma ser a opção preferida, porque tende a oferecer melhor proteção de longo prazo em doença mais extensa e complexa. Já a afirmativa III está errada. Revascularização percutânea não é feita como "atalho" para quem não quer tomar remédio ou mudar hábitos. Isso vai contra o raciocínio da cardiologia moderna: o procedimento não substitui prevenção secundária nem estilo de vida saudável, e não é indicado apenas por baixa adesão do paciente. Portanto, o gabarito é D, pois apenas I e II estão corretas.