Paciente de 13 anos, encaminhado para consulta por ter apresentado 2 episódios de síncope no último mês. Eletrocardiograma apresentou supradesnivelamento do segmento ST maior que 2 mm, seguido de onda T descendente e negativa em V1 e V2. Levando em consideração a principal suspeita para o quadro descrito, a conduta indicada é
- A)teste de esforço.
Errada, porque teste de esforço não é o exame indicado para confirmar ou tratar síndrome de Brugada.
- B)teste provocativo com procainamida.
Errada, porque a procainamida é usada em casos diagnósticos duvidosos para provocar o padrão, não como conduta principal neste paciente sintomático.
- C)início de betabloqueador.
Errada, porque betabloqueador não previne adequadamente as arritmias ventriculares da síndrome de Brugada.
- D)início de amiodarona.
Errada, porque amiodarona não é a estratégia de escolha para prevenção de morte súbita nessa canalopatia.
- E)implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI).
Certa, porque o paciente tem quadro compatível com síndrome de Brugada sintomática, em que o CDI é a principal medida para prevenir morte súbita.
Gabarito: E
O quadro sugere síndrome de Brugada, uma canalopatia que aumenta o risco de arritmias ventriculares malignas e morte súbita, especialmente em jovens com síncope e alteração típica no ECG em V1 e V2. O achado descrito, com supradesnivelamento do ST seguido de onda T negativa em V1 e V2, é bem característico e praticamente acende o alerta vermelho na emergência cardiológica. Nessa síndrome, o problema não é falta de condicionamento nem arritmia simples para observar com calma. Quando o paciente já teve síncope, isso sugere evento arrítmico potencialmente grave. Por isso, a conduta indicada é o implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI), que é a medida mais eficaz para prevenir morte súbita nesses casos. Os medicamentos antiarrítmicos, como betabloqueadores ou amiodarona, não resolvem o principal risco da síndrome de Brugada. E teste de esforço também não ajuda a fechar esse diagnóstico. Já o teste com procainamida pode ser usado em casos duvidosos para desmascarar o padrão eletrocardiográfico, mas aqui o ECG já veio sugestivo e o paciente já tem sintoma de alto risco. Em provas, a lógica é: ECG típico + síncope = pensar em Brugada com risco elevado e tratar de forma definitiva com CDI. É uma daquelas situações em que o coração não quer conversa, quer proteção.