Paciente, 15 anos, apresenta ao acordar, pela manhã, abalos musculares que acometem todos os segmentos corporais há, aproximadamente, seis meses. Esses eventos são relacionados, também, à ingesta alcoólica. Foi realizado eletroencefalograma que revelou ponta-ondas de 4 a 6 Hz. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é o de
- A)crises uncinadas.
Errada, porque crises uncinadas são crises focais com aura olfatória ou sensações viscerais, não mioclonias generalizadas matinais.
- B)espasmos infantis.
Errada, porque espasmos infantis ocorrem em lactentes, com outro padrão clínico e eletroencefalográfico.
- C)epilepsia mioclônica juvenil.
Certa, pois a epilepsia mioclônica juvenil tipicamente começa na adolescência, piora ao despertar e pode ser precipitada por álcool, com EEG de ponta-ondas generalizadas.
- D)síndrome de Lennox-Gastaut.
Errada, porque a síndrome de Lennox-Gastaut costuma começar na infância e tem quadro mais grave, com múltiplos tipos de crise e EEG diferente.
- E)síndrome de Panayiotopoulos.
Errada, porque a síndrome de Panayiotopoulos é uma epilepsia focal infantil, geralmente com sintomas autonômicos, e não com mioclonias generalizadas matinais.
Gabarito: C
O quadro descreve uma crise que aparece ao acordar, na adolescência, com abalos musculares envolvendo vários segmentos do corpo. Isso é bem clássico de epilepsia mioclônica juvenil, uma síndrome da adolescência em que as mioclonias matinais são o cartão de visita. O paciente muitas vezes relata que a mão "falha" ao pegar objetos logo cedo, ou que leva sustos e pequenos abalos, e o álcool pode funcionar como um belo gatilho para piorar tudo. No eletroencefalograma, o achado de ponta-ondas generalizadas de 4 a 6 Hz também aponta para uma epilepsia generalizada, compatível com esse diagnóstico. Em outras palavras: adolescência + mioclonias matinais + desencadeio por privação de sono/álcool + EEG com descarga generalizada = pense forte em epilepsia mioclônica juvenil. As síndromes epilépticas têm perfis bem diferentes, e aqui a idade já ajuda muito. Algumas aparecem na infância pequena, outras cursam com crises focais ou com encefalopatia epiléptica mais grave. Por isso, reconhecer o padrão clínico e eletroencefalográfico costuma valer mais do que decorar lista solta. Na prática, essa síndrome é uma das epilepsias generalizadas mais comuns da adolescência e costuma responder bem ao tratamento, mas pode recidivar se a medicação for suspensa de forma precoce ou se os gatilhos forem mantidos. A banca gosta exatamente desse retrato clássico, sem disfarce.