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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino de 69 anos, hipertenso e tabagista, 45 maçosano, apresenta-se com dispneia e tosse progressivas há 2 meses com episódios intermitentes de hemoptise com ECOG 1. A tomografia computadorizada de tórax evidencia massa de 5cm no lobo superior esquerdo associada à massa hilar esquerda de 4cm e linfonodomegalia mediastinal ipsilateral e subcarinal até 3cm. A broncoscopia com biópsia hilar revelou carcinoma de pequenas células, com positividade na imunohistoquímica para TTF-1, CD56, cromogranina e sinaptofisina com ki67 de 90%. A tomografia computadorizada do abdome e a cintilografia óssea demonstraram múltiplas lesões hepáticas e ósseas compatíveis com metástases, com ressonância nuclear magnética de crânio normal. Nesse caso, a melhor opção terapêutica é:

Gabarito: A

O caso descreve um carcinoma de pequenas células de pulmão em estágio extensivo, porque há metástases hepáticas e ósseas. Nessa situação, o tratamento de primeira linha costuma ser sistêmico, já que a doença é agressiva e costuma responder bem inicialmente à quimioterapia, mas com recaída frequente. O esquema clássico é platina (cisplatina ou carboplatina) associada a etoposídeo, e hoje se soma um inibidor de checkpoint, como atezolizumabe, sem depender de expressão de PD-L1 tumoral. O ponto-chave aqui é que, em câncer de pequenas células, o uso de imunoterapia na primeira linha para doença extensiva foi incorporado com base em estudos como o IMpower133, que mostrou ganho de sobrevida global com carboplatina/etoposídeo + atezolizumabe, seguido de manutenção com atezolizumabe. Diferente do que acontece em alguns outros tumores, não se exige PD-L1 positivo para essa indicação. Ou seja: o PD-L1 aqui não é o “porteiro” da festa. Além disso, o paciente tem performance status preservado (ECOG 1) e sem metástase cerebral na RNM, o que reforça a possibilidade de tratamento padrão com intenção de controle sistêmico. Hemoptise e massa hilar não mudam a linha principal quando já há disseminação metastática documentada. Portanto, a melhor opção é 4 ciclos de carboplatina, etoposídeo e atezolizumabe, independentemente do PD-L1, seguidos de atezolizumabe de manutenção.

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