Paciente adolescente é levado para atendimento na emergência, devido a dor abdominal de forte intensidade, associada a náuseas, vômitos e prostração. Relata que vinha apresentando perda de peso e aumento da frequência de micções. A rotina radiológica de abdome aguda evidenciou distensão difusa do delgado. O leucograma apresentava discreta leucocitose sem desvio para esquerda; pH: 7,25; HCO3 : 12 mEq/L; PaCO2 :25 mmHg; Na: 128mEq/L; K: 3,5mEq/L; Glicose: 422mg/dL; e Creatinina 1,2mg/dL. Diante desses achados, assinale a opção que apresenta a melhor conduta.
- A)Hidratação com reposição hidroeletrolítica, seguida de laparotomia exploradora.
Errada, porque laparotomia exploradora não é indicada diante de um quadro típico de cetoacidose diabética sem sinais claros de abdome agudo cirúrgico.
- B)Antiemético, analgesia, hidratação com reposição hidroeletrolítica e insulinoterapia.
Certa, pois o tratamento é hidratação venosa, correção hidroeletrolítica, antiemético, analgesia e insulinoterapia para tratar a cetoacidose diabética.
- C)Cateterismo vesical, hidratação com reposição hidroeletrolítica e antibioticoterapia de largo espectro.
Errada, porque cateterismo vesical e antibioticoterapia sugerem infecção urinária/sepse, mas os achados apontam para descompensação metabólica com hiperglicemia e acidose.
- D)Cateter nasogástrico, antiemético, antinflamatório não hormonal e hidratação com reposição hidroeletrolítica.
Errada, porque sonda nasogástrica e anti-inflamatório não esteroidal não tratam a causa do quadro, que é cetoacidose diabética.
- E)Antiemético, antinflamatório não hormonal, hidratação com reposição hidroeletrolítica e antibioticoterapia para germes do trato urinário.
Errada, porque o raciocínio infeccioso urinário não explica a hiperglicemia importante nem a acidose metabólica com compensação respiratória.
Gabarito: B
O quadro é de cetoacidose diabética: adolescente com perda de peso, poliúria, dor abdominal, vômitos, desidratação e glicemia muito elevada, além de acidose metabólica importante com compensação respiratória (pH 7,25, HCO3 12, PaCO2 25). Nessa situação, a dor abdominal pode até “imitar” abdome cirúrgico, mas o primeiro passo não é correr para o centro cirúrgico nem tratar como infecção ou obstrução mecânica: é corrigir a crise metabólica. A conduta inicial inclui hidratação venosa com reposição hidroeletrolítica, monitorização e insulinoterapia, além de antiemético e analgesia se necessário. A insulina é essencial para interromper a cetogênese e baixar a glicose, mas costuma vir após o início da reposição volêmica, porque o paciente geralmente está desidratado e com distúrbios eletrolíticos. O potássio merece atenção constante, já que pode cair rapidamente após a insulina. Por isso, a alternativa B está correta: ela reúne as medidas de suporte e o tratamento específico da cetoacidose diabética. As demais opções tentam “puxar” para outras hipóteses cirúrgicas ou infecciosas, mas os dados laboratoriais e clínicos apontam para uma emergência endócrino-metabólica, não para abdome agudo cirúrgico. Em prova, lembre da regra prática: dor abdominal + vômitos + desidratação + hiperglicemia + acidose = pense em cetoacidose até prova em contrário. O abdome pode reclamar, mas aqui o problema principal está no metabolismo.