Jovem em segundo dia de internação hospitalar por fratura de fêmur, aguardando na fila para realização de cirurgia, evolui com taquidispneia, confusão mental, agitação e petéquias difusas. Realiza doppler venoso de membros inferiores à beira leito sem evidência de trombose venosa de membros inferiores. O diagnóstico mais provável é:
- A)tromboembolismo pulmonar periférico;
Errada: o TEP não explica bem as petéquias difusas nem é o diagnóstico mais provável quando o quadro surge após fratura de fêmur com sintomas neurológicos.
- B)vasculite pulmonar;
Errada: vasculite pulmonar costuma dar hemoptise, infiltrados e quadro inflamatório sistêmico, mas não tem relação típica com fratura de fêmur recente.
- C)púrpura trombicitopênica trombótica;
Errada: púrpura trombocitopênica trombótica pode causar confusão e petéquias, mas o contexto traumático com fratura de osso longo aponta muito mais para embolia gordurosa.
- D)síndrome do anticorpo antifosfolipídeo;
Errada: a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo predispõe a tromboses, porém não explica esse início agudo pós-trauma com tríade respiratória, neurológica e cutânea.
- E)embolia gordurosa.
Certa: fratura de fêmur seguida de taquidispneia, confusão mental e petéquias em 24 a 72 horas é o quadro clássico de embolia gordurosa.
Gabarito: E
Em paciente jovem, internado após fratura de fêmur, que piora em poucos dias com taquidispneia, confusão mental, agitação e petéquias difusas, o quadro clássico que vem à mente é embolia gordurosa. Isso costuma aparecer 24 a 72 horas após trauma de ossos longos, principalmente fêmur, quando gotículas de gordura da medula óssea entram na circulação e atingem pulmão, cérebro e pele. É aquele cenário em que o paciente parece ter “três problemas ao mesmo tempo”: falta de ar, alteração neurológica e manchas petequiais. A ausência de trombose venosa no doppler ajuda a afastar tromboembolismo pulmonar como explicação principal. No TEP, você espera uma fonte trombótica venosa, e o quadro não costuma vir com petéquias difusas. Já na embolia gordurosa, a tríade respiratória, neurológica e cutânea é bem sugestiva, especialmente depois de fratura de fêmur ou manipulação ortopédica. Do ponto de vista prático, a síndrome da embolia gordurosa é mais um diagnóstico clínico do que um achado de exame único. Há critérios clínicos clássicos, como os de Gurd e Wilson, que valorizam insuficiência respiratória, sinais neurológicos e petéquias. O tratamento é de suporte, com oxigênio, ventilação se necessário, estabilização hemodinâmica e cuidado intensivo. Em resumo: fratura de osso longo + deterioração respiratória + confusão/agitação + petéquias = pense primeiro em embolia gordurosa. A banca gosta de cobrar esse raciocínio porque ele parece TEP à primeira vista, mas os detalhes do caso entregam o diagnóstico.