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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Jovem em segundo dia de internação hospitalar por fratura de fêmur, aguardando na fila para realização de cirurgia, evolui com taquidispneia, confusão mental, agitação e petéquias difusas. Realiza doppler venoso de membros inferiores à beira leito sem evidência de trombose venosa de membros inferiores. O diagnóstico mais provável é:

Gabarito: E

Em paciente jovem, internado após fratura de fêmur, que piora em poucos dias com taquidispneia, confusão mental, agitação e petéquias difusas, o quadro clássico que vem à mente é embolia gordurosa. Isso costuma aparecer 24 a 72 horas após trauma de ossos longos, principalmente fêmur, quando gotículas de gordura da medula óssea entram na circulação e atingem pulmão, cérebro e pele. É aquele cenário em que o paciente parece ter “três problemas ao mesmo tempo”: falta de ar, alteração neurológica e manchas petequiais. A ausência de trombose venosa no doppler ajuda a afastar tromboembolismo pulmonar como explicação principal. No TEP, você espera uma fonte trombótica venosa, e o quadro não costuma vir com petéquias difusas. Já na embolia gordurosa, a tríade respiratória, neurológica e cutânea é bem sugestiva, especialmente depois de fratura de fêmur ou manipulação ortopédica. Do ponto de vista prático, a síndrome da embolia gordurosa é mais um diagnóstico clínico do que um achado de exame único. Há critérios clínicos clássicos, como os de Gurd e Wilson, que valorizam insuficiência respiratória, sinais neurológicos e petéquias. O tratamento é de suporte, com oxigênio, ventilação se necessário, estabilização hemodinâmica e cuidado intensivo. Em resumo: fratura de osso longo + deterioração respiratória + confusão/agitação + petéquias = pense primeiro em embolia gordurosa. A banca gosta de cobrar esse raciocínio porque ele parece TEP à primeira vista, mas os detalhes do caso entregam o diagnóstico.

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