Criança de 2 anos, sexo feminino, procurou serviço de emergência com quadro que se iniciou com febre baixa, rouquidão, obstrução nasal e tosse seca há 2 dias. Há 1 dia houve piora da sintomatologia com o aparecimento de estridor, taquipneia e retração supra esternal. HPP: Asma, rinite, 1 episódio de pneumonia. História Imunológica: em dia. Ao exame: FC: 120 bpm; FR: 44 ipm; saturação de oxigênio: 94%. Bom estado geral, presença de estridor, retração supra esternal, ausculta com murmúrio vesicular universalmente audível, sibilos esparsos. Assinale a opção que indica o diagnóstico provável para o caso clínico descrito.
- A)Asma.
Errada: asma causa sibilância e broncoespasmo, mas não explica rouquidão e estridor inspiratório com pródromo de IVAS.
- B)Abscesso retrofaríngeo.
Errada: abscesso retrofaríngeo costuma cursar com febre alta, dor, disfagia e limitação cervical, não com esse quadro viral progressivo.
- C)Laringotraqueobronquite viral.
Certa: laringotraqueobronquite viral dá rouquidão, tosse, estridor e retração após sintomas de resfriado, exatamente como no enunciado.
- D)Laringite espasmódica.
Errada: laringite espasmódica é mais abrupta, geralmente noturna e recorrente, sem o pródromo infeccioso típico descrito.
- E)Epiglotite.
Errada: epiglotite costuma ter toxemia, febre alta, sialorreia e grande dificuldade para engolir, quadro bem mais grave e diferente.
Gabarito: C
O quadro descrito é bem típico de laringotraqueobronquite viral, também chamada de crupe. Ela costuma começar como um resfriado: febre baixa, coriza, rouquidão e tosse seca, e depois evolui com estridor inspiratório, retração de fúrcula ou supraesternal e desconforto respiratório. Em geral, a criança fica com aspecto de doença de via aérea superior, mas sem toxemia importante, e a ausculta pulmonar pode até mostrar sibilos leves por associação com inflamação de vias aéreas menores. O ponto-chave aqui é a sequência temporal: primeiro sintomas virais de vias aéreas altas, depois piora com estridor e rouquidão. Isso praticamente acende a luz da laringotraqueobronquite viral. Em provas, a FGV gosta de separar bem esse quadro de causas mais graves de obstrução de via aérea superior, então vale olhar o estado geral e a evolução clínica. A epiglotite, por exemplo, costuma dar febre alta, toxemia, disfagia, sialorreia e criança em posição de tripod, o que não aparece aqui. Abscesso retrofaríngeo tende a vir com febre, dor importante, rigidez cervical e disfagia, e não com esse pródromo catarral tão clássico. Já laringite espasmódica costuma ser mais súbita, noturna, recorrente e sem sinais de infecção viral tão marcantes. Então, o gabarito C está correto porque o caso é o retrato de uma laringotraqueobronquite viral: infecção respiratória alta antecedendo estridor, rouquidão e retração, em criança pequena, com bom estado geral e saturação ainda preservada.