Paciente vítima de acidente de moto, admitido na Emergência, foi carregado na maca com colar cervical, acesso periférico calibroso e muita dor pelo corpo, principalmente em braço direito e perna esquerda aonde possui mais lesões em pele, porém sem deformidades aparentes e nenhuma com sangramento ativo importante. Está sonolento, FC 120 bpm, pulso filiforme, PA 84 x 40 mmHg, FR 24 irpm e extremidades frias. Ausculta cardíaca e respiratória normais. Abdome indolor à palpação difusa e sem irritação peritoneal. Realizado o exame de ultrassonografia focado para trauma (e-FAST) que não evidenciou a causa. Deve-se atentar, nesse momento, como causa mais provável de choque do paciente,
- A)tamponamento cardíaco.
Tamponamento cardíaco costuma aparecer com e-FAST positivo e achados como bulhas abafadas e ingurgitamento jugular, o que não foi descrito.
- B)pneumotórax.
Pneumotórax hipertensivo daria alteração respiratória e achado no exame ou no e-FAST, mas a ausculta respiratória está normal e o exame não sugeriu isso.
- C)hemoperitôneo.
Hemoperitôneo foi praticamente excluído pelo e-FAST negativo e pela ausência de dor abdominal ou sinais de irritação peritoneal.
- D)fratura de quadril.
Fratura de quadril pode causar sangramento oculto importante e levar a choque hemorrágico, principalmente em politrauma com e-FAST negativo.
- E)choque neurogênico.
Choque neurogênico costuma cursar com hipotensão e bradicardia, não com taquicardia e extremidades frias como no caso.
Gabarito: D
Em trauma, choque com e-FAST negativo obriga voce a pensar em hemorragia oculta. Nem toda perda de sangue aparece na sala de emergência: fraturas de pelve e de quadril podem sangrar muito para o retroperitônio e para os tecidos moles, derrubando a pressão sem dar sinal externo chamativo. Por isso, um paciente pálido, taquicárdico, com extremidades frias e sem fonte evidente de sangramento deve acender o alerta para esse tipo de lesão. Neste caso, o quadro é de choque hemorrágico até prova em contrário. O e-FAST não mostrou hemoperitônio, pneumotórax ou tamponamento, então a principal hipótese restante é sangramento oculto por fratura importante, especialmente na região do quadril/pelve. Em trauma, a pelve é uma fonte clássica de sangramento silencioso, capaz de causar instabilidade hemodinâmica rapidamente. A banca gosta dessa lógica: se a ultrassonografia focada veio negativa e não há sangramento externo relevante, você precisa sair do óbvio e procurar a hemorragia escondida. Fratura de quadril em politrauma é uma causa típica de choque por perda sanguínea significativa, mesmo sem deformidade evidente logo de cara. Então, o gabarito D está correto porque explica melhor o choque do paciente dentro do contexto do trauma fechado, com sinais claros de hipoperfusão e sem outra fonte identificada no e-FAST.