Uma gestante com 33 semanas realiza avaliação fetal por ultrassonografia com Doppler com os seguintes achados: Peso fetal estimado no percentil 2,5, normodramnia, ausência de malformações fetais aparentes, artéria umbilical com diástole zero, ducto venoso normal. Diante desses achados, a melhor conduta é proceder a
- A)avaliações fetais duas vezes por semana e cesariana programada com 34 semanas.
Correta: diástole zero na artéria umbilical com ducto venoso normal em 33 semanas pede vigilância muito próxima e parto programado em torno de 34 semanas, geralmente por cesariana após corticoterapia.
- B)cesariana imediata após corticoterapia e uso de sulfato de magnésio.
Errada: cesariana imediata com sulfato de magnésio fica mais para quadro mais grave/idade gestacional ainda menor ou sinais de descompensação fetal, não apenas diástole zero com ducto venoso normal.
- C)avaliação fetal uma vez a cada duas semanas e indução do parto com 37 semanas.
Errada: esse intervalo de acompanhamento é longo demais para um feto com Doppler alterado e risco de insuficiência placentária progressiva.
- D)avaliações fetais mensalmente e aguardar trabalho de parto espontâneo no termo.
Errada: espera mensal e parto a termo ignoram a gravidade do achado Doppler e aumentam o risco de óbito fetal ou sofrimento intrauterino.
- E)indução do parto após 40 semanas, sem necessidade de nova avaliação fetal.
Errada: passar de 40 semanas é completamente incompatível com restrição de crescimento com alteração de fluxo na artéria umbilical.
Gabarito: A
Aqui o quadro é de restricao de crescimento fetal precoce/gravidade importante: peso estimado abaixo do percentil 10, com diástole zero na artéria umbilical, mas ainda com ducto venoso normal. Isso indica insuficiência placentária relevante, porém sem sinais de descompensação venosa iminente. Em situações assim, a conduta costuma ser vigilância muito estreita e planejamento do parto antecipado, porque o feto já está em risco dentro do útero e não faz sentido “ganhar tempo” demais. O detalhe-chave é a Dopplervelocimetria. Diástole zero na artéria umbilical mostra aumento importante da resistência placentária. Se o ducto venoso ainda está normal, não é caso de resolução imediata às pressas como se houvesse sofrimento terminal, mas também não é um caso para esperar semanas em casa com tranquilidade. Por isso, a conduta é monitorização fetal duas vezes por semana e interrupção da gestação em 34 semanas. Na prática obstétrica, a ideia é equilibrar dois riscos: prematuridade vs. hipoxemia fetal progressiva. Entre 32 e 34 semanas, com esse Doppler, costuma-se indicar corticoterapia para maturação pulmonar e programar parto por cesariana, porque o quadro Doppler sugere alto risco de piora e a via vaginal nem sempre é a melhor escolha diante da fragilidade fetal. Esse raciocínio é o que sustenta a alternativa A. Não é uma situação de esperar até termo, nem de acompanhar de forma espaçada. O bebê já está avisando, via Doppler, que a placenta está fazendo mal o seu trabalho.