Existem cerca de 40 critérios eletrocardiográficos para o diagnóstico de sobrecarga ventricular esquerda. Entre eles, o escore de pontos de Romhilt-Estes é um dos mais reconhecidos e utilizados, apresentando uma elevada especificidade (cerca de 96%). Em relação a este escore, assinale a afirmativa correta.
- A)O padrão strain de repolarização ventricular (ST-T) em V5 e V6 vale 3 pontos, e sua pontuação é mantida mesmo durante o uso de digoxina.
Errada: o padrão strain em V5 e V6 é critério de maior peso, mas a pontuação não é essa e o uso de digoxina interfere na leitura do ST-T.
- B)O aumento da duração do QRS ≥ 0,12s em V1 ou V2 representa um critério menor e vale 1 ponto.
Errada: QRS alargado em V1 ou V2 não é critério menor de 1 ponto nesse escore, e a topografia citada também não corresponde ao critério descrito.
- C)O desvio do eixo de despolarização ventricular além de – 30o é um critério intermediário e vale 2 pontos.
Certa: o desvio do eixo de despolarização ventricular além de -30 graus é um critério intermediário do escore de Romhilt-Estes e vale 2 pontos.
- D)Um tempo de ativação ventricular em V5 ou V6 > 0,08s é um critério intermediário e vale 2 pontos.
Errada: o tempo de ativação ventricular em V5 ou V6 maior que 0,08 s não é classificado assim no escore e a pontuação indicada está incorreta.
- E)As alterações na amplitude do QRS, devido à elevada acurácia dos critérios individuais, não são consideradas no escore de pontos de Romhilt-Estes.
Errada: as alterações de amplitude do QRS fazem parte, sim, do escore e são um dos componentes clássicos da avaliação de sobrecarga ventricular esquerda.
Gabarito: C
O escore de Romhilt-Estes é um jeito clássico de organizar os sinais de sobrecarga ventricular esquerda no ECG. Ele soma pontos para achados de maior peso, em vez de depender de um único critério, porque nenhum sinal isolado é perfeito. É por isso que ele ficou famoso: ajuda a aumentar a especificidade do diagnóstico quando você junta vários achados compatíveis. Na escala, o desvio do eixo elétrico para a esquerda além de -30 graus entra como critério intermediário, valendo 2 pontos. Esse é exatamente o ponto cobrado na alternativa C. Ou seja, não é um achado menor e nem algo de peso máximo: fica no meio do caminho, como manda o escore. O pegadinha do tema é misturar critérios de voltagem, repolarização e tempo de ativação, porque eles parecem todos parecidos, mas cada um tem peso diferente. O padrão strain, por exemplo, é um achado importante, e a presença de digoxina altera a interpretação de alguns itens do ST-T. Já o eixo elétrico tem uma regra própria e bem específica, que costuma aparecer em prova para testar memória fina. Resumo prático: se o ECG sugere hipertrofia ventricular esquerda, o Romhilt-Estes ajuda a quantificar a suspeita. E, nesta questão, o detalhe decisivo é o desvio do eixo além de -30 graus, que realmente vale 2 pontos.