A atividade de garimpo ilegal, além de intoxicar trabalhadores por exposição ao vapor de mercúrio essencial (Hg°), provoca também a contaminação do meio ambiente por esse metal que, nos rios e mares, é transformado por micro-organismos do plâncton em compostos organomercuriais, como o metil-mercúrio, que contamina peixes, moluscos e crustáceos. No Brasil, populações ribeirinhas e de pescadores, assim como povos indígenas, expostas a esse contaminante por via alimentar, estão arriscadas a sofrer intoxicações graves, que podem causar
- A)hepatite tóxica, colite hemorrágica e tremores.
Errada, porque hepatite tóxica e colite hemorrágica não são o quadro típico da intoxicação por metil-mercúrio, embora tremores possam ocorrer em intoxicação por mercúrio inorgânico ou exposição ocupacional.
- B)distúrbios visuais, alterações motoras e convulsão.
Certa, pois o metil-mercúrio causa principalmente neurotoxicidade, com distúrbios visuais, alterações motoras e, nos casos graves, convulsões.
- C)paralisia periférica, insuficiência renal aguda e colite hemorrágica.
Errada, porque paralisia periférica e insuficiência renal aguda não resumem a intoxicação alimentar por metil-mercúrio, e colite hemorrágica aponta para outros agentes tóxicos.
- D)convulsão, necrose de mucosas do aparelho digestivo, nefrite tubular aguda e hepatite tóxica.
Errada, pois convulsões e alterações digestivas graves não são o padrão principal do metil-mercúrio, e hepatite tóxica e nefrite tubular aguda desviam para outras intoxicações.
- E)vômitos, diarreia, hepatite tóxica e óbito por edema cerebral.
Errada, porque vômitos, diarreia e hepatite tóxica não caracterizam o envenenamento por metil-mercúrio, que é predominantemente neurológico.
Gabarito: B
O mercúrio pode aparecer em formas diferentes, e isso muda bastante o quadro clínico. No garimpo, a exposição ao vapor de mercúrio metálico (Hg°) atinge principalmente o sistema nervoso central e os rins. Já no ambiente aquático, micro-organismos transformam o metal em metil-mercúrio, que entra na cadeia alimentar e se acumula em peixes e outros animais. Por isso, populações que consomem muito pescado contaminado podem desenvolver intoxicação neurológica importante. O metil-mercúrio é famoso por ser neurotóxico. Ele provoca sobretudo alterações visuais, tremor, ataxia, alteração de coordenação motora, formigamentos e, em casos graves, convulsões. Em termos práticos, ele "ataca" o cérebro e o sistema nervoso periférico, com destaque para distúrbios sensoriais e motores. É justamente por isso que o gabarito é a letra B. Distúrbios visuais, alterações motoras e convulsão combinam com a intoxicação por metil-mercúrio, como na clássica doença de Minamata. Esse é o quadro histórico que virou referência mundial para esse tipo de envenenamento. As outras alternativas misturam achados de outros tóxicos ou de lesões mais gastrointestinais e hepáticas, que não são a cara do mercúrio orgânico. Quando a banca fala em peixe contaminado e sintomas neurológicos, pense em metil-mercúrio antes de qualquer coisa. A fisiopatologia é bem conhecida na toxicologia e cai muito em prova justamente por essa relação cadeia alimentar -> neurotoxicidade.